Tragédia em Rio dos Cedros: “Mergulhei para salvar minha filha, mas não consegui”

Acusado de embriaguez, motorista do acidente em que morreram a filha e a cunhada fala sobre a tragédia

Tragédia em Rio dos Cedros: “Mergulhei para salvar minha filha, mas não consegui”

Acusado de embriaguez, motorista do acidente em que morreram a filha e a cunhada fala sobre a tragédia

Julia Schaefer

Eliseu Burschinski, 35 anos, era o motorista do carro que caiu em um rio na localidade de Cedro Alto, em Rio dos Cedros, no sábado, dia 18. O homem, que num relance perdeu a filha de 10 anos, Letícia, e a cunhada Ivone Paterno, 59, é acusado de ter ingerido álcool antes de assumir a direção do veículo.

Burschinski perdeu a direção do veículo entre duas curvas. Ele não sabe explicar o que houve entre uma e outra manobra, mas cogita uma falha mecânica. Segundo a Polícia Militar, o teste de bafômetro no condutor indicou 1,32 de álcool por litro de sangue.

A reportagem do Município Blumenau conversou com o motorista nesta segunda-feira. Ele limitou-se a descrever os momentos de terror que viveu, e preferiu não falar sobre o processo judicial enquanto não tiver um advogado para trabalhar em sua defesa.

“Eu simplesmente fiz a curva, a curva mais fechada, daí eu fui fazer a outra. E nisso a minha filha disse ‘pai!’, e eu não lembro mais nada, se estourou um pneu, ou se barra de direção, alguma coisa. O carro virou de perna pra cima, eu saí fora da água chamando por minha filha. Mergulhei para tentar salvar, mas não consegui achar. Quatro vezes eu mergulhei para tentar salvar ela”, relatou.

No domingo, por volta das 13h, após ter passado a noite entre a Delegacia de Polícia Civil de Timbó e o Presídio Regional de Blumenau, ele foi libertado e pôde acompanhar o enterro, em Rio dos Cedros. A decisão foi do juiz da comarca de Timbó Leandro Rodolfo Paasch.

O juiz entendeu que, apesar da gravidade do acidente, o réu não precisaria responder ao processo preso porque não possui antecedentes criminais, tem emprego e residência fixos. Além disso, o juiz levou em conta que o delegado de polícia responsável pelo flagrante, Eduardo Lacerda Boaretto, enquadrou o crime como de natureza culposa, quando não há intenção de matar.

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Porém, Paasch estabeleceu medidas cautelares para Burschinski, como a proibição de ausentar-se da comarca sem autorização; de mudar de endereço; de frequentar bares, restaurantes ou outros estabelecimentos voltados ao consumo de bebidas alcoólicas; de dirigir qualquer tipo de veículo automotor, além de ter o compromisso de comparecer perante à autoridade todas as vezes que for intimado.

Eliseu Burschinski vai responder por homicídio culposo na direção de veículo automotor.

“Cabe ao julgador aplicar tecnicamente a lei, não obstante a tristeza do caso, que, acredita-se, deve infligir sobremaneira o próprio conduzido por ter perdido uma filha, ainda criança, e outra familiar”, escreveu Paasch no despacho.

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