O mês de março começou com notícias nada animadoras no Brasil. O país já acumula mais de 11 milhões de casos de contágio e aproximadamente 265 mil óbitos provocados pela pandemia da covid-19. Para piorar, a média diária de mortes vem crescendo assustadoramente, e o próprio ministério da saúde já admite que estamos diante de um novo pico de contágio que, ao que parece, será ainda maior do que no ano anterior.

Diante deste cenário pessimista quanto a disseminação da doença, somado as incertezas que ainda pairam sobre tudo o que envolve a vacinação no Brasil, diminuem ainda mais as esperanças sobre o fim das restrições e reabertura plena das fronteiras com os Estados Unidos e outros países, algo bastante aguardado por milhares de brasileiros que estão ávidos para viajar, seja para trabalhar, estudar ou simplesmente visitar outros países.

Em maio de 2020, o CDC (Centro de Controle e Prevenção a Doenças dos EUA) classificou o Brasil como um dos principais centros de contágio e disseminação da covid-19, permitindo que apenas cidadãos americanos, portadores de green cards e algumas outras exceções pontuais pudessem embarcar de aeroportos brasileiros diretamente para os Estados Unidos. A determinação chegou a ser revogada pelo então presidente Donald Trump a poucos dias do fim de seu mandato, mas foi prontamente reestabelecida pelo novo presidente Joe Biden antes que pudesse ser efetivada.

“É impensável que o governo americano considere reabrir as fronteiras neste momento em que, infelizmente, o Brasil está chamando cada vez mais a atenção da comunidade cientifica internacional como um exemplo negativo de gerenciamento da pandemia. Ainda mais agora que os números de pessoas infectadas nos Estados Unidos finalmente começaram a reduzir”, explicou o Felipe Alexandre, advogado de imigração brasileiro/americano que reside nos Estados Unidos.

“Na verdade, as restrições podem ainda piorar dependendo do desenrolar da pandemia no Brasil pelos próximos meses, diminuindo até mesmo a quantidade de excessos que podem viajar diretamente de um país para o outro”, ressaltou o advogado.

Como não conseguem voar diretamente do Brasil para os EUA, muitos brasileiros tem buscado rotas alternativas para viajar para a América. A mais comum delas tem sido viajar primeiramente para o México, em especial Cancun, e lá permanecer por 14 dias (tempo de quarentena exigido pelas autoridades americanas) e de lá solicitar a entrada nos Estados Unidos apresentando o passaporte com visto americano e o resultado negativo de um teste de covid-19 feito em até 3 dias antes da viagem.

“Não há nenhuma ilegalidade em viajar desta forma, indo primeiramente para um país que não está sofrendo as mesmas restrições da pandemia e daí viajar para os EUA. É preciso lembrar que as restrições não são contra brasileiros, mas sim contra a entrada de voos saindo do Brasil” – pontuou Felipe Alexandre, que também é proprietário da AG Immigration, escritório americano de imigração que atende centenas de clientes brasileiros em seus processos de vistos e green card para os Estados Unidos.

O agravamento da pandemia no Brasil também já dá sinais que tanto a Embaixada quanto os Consulados americanos no país devem manter suas portas fechadas por mais tempo, exceto para atendimento a cidadãos americanos e emissão de determinados vistos em caráter de urgência humanitária.

Na semana passada, inclusive, a Embaixada dos EUA comunicou que solicitantes de vistos orginalmente agendados para março, mês em que havia uma expectativa de reabertura dos postos consulares americanos no Brasil, terão que adiar suas entrevistas de vistos por tempo indeterminado. Uma decisão que deve impactar especialmente pessoas que aguardavam a oportunidade de solicitar vistos para estudar, trabalhar ou até mesmo residir na América.

“infelizmente muitas pessoas no Brasil tiveram seus planos de estudar, fazer negócios ou até mesmo visitar os Estados Unidos interrompidos devido ao fechamento dos postos americanos no país. Desde março do ano passado estes postos só estão atendendo a determinadas situações de entrevistas para vistos em casos onde existe um interesse nacional americano ou em casos humanitários. A tendência é que os serviços de vistos continuem restritos por mais um bom tempo, pelo menos até que grande parte da população brasileira já tenha se vacinado”, ponderou Alexandre.


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