Apenas metade dos assaltantes detidos pela PM de Blumenau em 2021 ainda estão presos

Corporação relata que "retrabalho" desmotiva policiais

Apenas metade dos assaltantes detidos pela PM de Blumenau em 2021 ainda estão presos

Corporação relata que "retrabalho" desmotiva policiais

Alice Kienen

Mais de uma centena de roubos já foram registrados em Blumenau em 2021. Até o dia 6 de julho, terça-feira, a Polícia Militar atendeu 99 assaltos. Destas ocorrências, 26 criminosos foram detidos pela Polícia Militar.

Entretanto, apenas pouco mais da metade deles continuam presos. São 14 pessoas privadas de liberdade dentre os 24 que foram efetivamente presos. Os outros dois foram liberados no mesmo dia por serem adolescentes.

A idade dos presos, inclusive, chama a atenção. Muitos deles são jovens. Dos 24 presos, metade têm entre 18 e 25 anos. Outros cinco têm até 35 e os sete demais entre 36 e 50 anos.

Um dos foragidos foi morto pela PM

Das 26 pessoas envolvidas em assaltos em Blumenau presas em 2021, dois adolescentes foram liberados no mesmo dia para responder pelo crime a partir do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Outros seis foram liberados por ordem judicial de alvará de soltura. Dois tiveram as prisões preventivas revogadas e outros dois fugiram do encarceramento. Um deles segue foragido, porém o outro morreu em confronto com a polícia.

Derivaldo Lima de Oliveira Júnior tinha 37 anos e, após não retornar na saída de Natal, assaltou uma farmácia do Centro à mão armada. Ele não sobreviveu à troca de tiros enquanto o colega de 25 anos foi detido.

Liberações desmotivam policiais

Para o comandante do 10º Batalhão de Polícia Militar de Blumenau, tenente-coronel Cleber Pires, o “retrabalho” gerado pelo sistema acaba desmotivando os agentes. Segundo ele, muitos dos envolvidos em roubos e furtos na cidade são reincidentes.

“Os dados são muito impactantes. Como não há uma solução, eles acabam cometendo novos crimes. Na prática, o trabalho da PM em prevenir está funcionando. Considerando o tamanho da cidade, nossos números são excepcionais. Mas a persecução criminal brasileira precisa ser revista”, opina.

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A persecução se refere a todo processo criminal, desde a investigação até cumprimento das leis com os envolvidos. Na visão do comandante, o trabalho de todos os órgãos blumenauenses é bem cumprido. Porém, a legislação dificultaria o senso de justiça.

“O trabalho da Polícia Civil, do Instituto Geral de Perícias, do sistema Judiciário e do Deap é excelente. Porém, somos todos balizados pela lei e precisamos agir dentro desses limites. Acredito que precisamos analisar alternativas às penas privativas de liberdade para que o retorno à sociedade seja mais adequado”, pondera.

Atuar na raiz do problema

Pires defende o debate envolvendo a educação acima da punição, mas acredita que a primeira funcionaria na prática apenas a longo prazo. Enquanto isso, quando se tratam dos crimes ocorrendo atualmente, soluções rápidas precisam ser aplicadas.

“Educação é a base e as novas gerações precisam de melhores condições para não transgredir no futuro. Mas nesse momento temos um problema muito imediato de pessoas que por diversas razões sociais cometem crimes. Precisamos de consequências visíveis da ressocialização”, defende.

Por fim, o tenente-coronel reforça que parte do trabalho da Polícia Militar é impedir a criminalidade pela presença dos agentes. Porém, caso a pessoa sinta que após ser pego a consequência não será grave, o efeito não é alcançado.

“Essa deveria ser uma preocupação do Estado, não apenas da PM. Enquanto isso, o comando do batalhão seguirá motivando os policiais para, caso seja necessário, prender a mesma pessoa duas, três ou dezenas de vezes. Continuaremos sempre atuando para manter a ordem pública de Blumenau”, conclui.


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