Capa: 1950 – Centenário de Blumenau.
Em 1950 houve várias comemorações e iniciativas na cidade de Blumenau, pela passagem de seu centenário de fundação. Foi inclusive composto um hino especial pela passagem da data, uma composição de Aldo Krieger.

Hino do Centenário de Blumenau
Letra de Eduardo Mario Tavares.
1. Há cem anos, por estas paragens,
– Terras férteis, imensas, sem dono –
Brava tribo de rudes selvagens
Viu surgir o primeiro colono.
O machado clareiras abria,
Tombam selvas, e, qual desafio,
A pequena colónia surgia
Debruçada nas margens do rio.
Estribilho:
Celebremos o audaz pioneiro,
Sonhador, de visão temerária,
Que de um virgem sertão brasileiro
Fez surgir Blumenau centenária.
2. A colônia evolui: campo em fora
As espigas se inclinam doiradas;
Brotam flores aos beijos da aurora,
Cantam aves nas ínvias quebradas;
Pelos vales, um sol luminoso
Medra o fruto, fecunda a semente,
E, irrigando as campinas, moroso
Passa o rio ondeando contente.
3. Blumenau! Blumenau! Tuas fontes
Contam lendas de heróis europeus;
E ressoam, gemendo, nos montes
As canções brasileiras do adeus.
Em teu seio a riqueza se expande,
O’ rincão meu formoso e gentil,
E o progresso tornou-te tão grande
Que és o orgulho do nosso Brasil!

Momentos esportivos com conquistas históricas de títulos e outras mais, envolvendo a comunidade blumenauense.






Mas uma das iniciativas mais marcantes foi a criação de uma medalha de porcelana idealizada pelo numismata Fritz Wilhelm Max Reimer, desenhada por Emil Müller e confeccionada pela tradicional empresa Porcelana Schmidt. Essa medalha estará com a idade de 75 anos, em setembro, e atualmente integra peças de colecionadores e poderia ser parte do acervo do Museu Municipal, caso este existisse.
Antes de continuar, vamos conhecer um pouco sobre Reimer – criador da Medalha
De acordo com registro encontrado na Fundação Cultural de Blumenau, Fritz Wilhelm Max Reimer nasceu em 1° de Setembro de 1912 em Hannover, na Alemanha. Foi filho de Emil Karl Fritz Reimer (1877 – 1962) e de Margarete (Wollffs) Reimer (1878 – 1975).
Fritz Wilhelm Max Reimer se casou com Renate Auguste Helene (Blaese) Reimer (1920 – 1979), de família de Vila Itoupava, em 12 de dezembro de 1938. Fritz e Renate faleceram em um acidente de automóvel em 1° de novembro de 1979, na região de Curitiba. O casal teve dois filhos: Carin Reimer (1940 – 1940) e Werner Reimer (1942 – ).
Fritz chegou ao Brasil, bebê, em 2 de setembro de 1914 com seus pais e se fixaram na localidade de Rio Branco, território do atual município de Guaramirim (SC), do qual Vila Itoupava também fazia parte. Como seu pai, também tornou-se “guarda-livros”, que tem o mesmo ofício de contador e não conseguiu somente trabalhar na lavoura e criar animais. Mudou-se para o meio oeste de Santa Catarina, Canoinhas. Antes disso, em 1924 seu pai foi contratado como guarda-livros na firma de Bernardo Olsen & Cia. Fritz trabalhou na Cervejaria Löffler e em 4 de setembro de 1930, com 18 anos, mudou-se para Blumenau – fixando residência. ainda no mês de setembro de 1930, começou a trabalhar no “Der Urwaldsbote” – de Gustavo Arthur Khöler, firma que se transformou na “Tipografia e Livraria Blumenauense S/A e que chegamos a conhecer ainda no século XXI. Trabalhou nesse local até 1965.
Em 1956 iniciou, paralelamente, a firma “A clínica das canetas” que sua esposa e filho Werner administravam. Ela encerrou suas atividades em 1974.
Fritz Wilhelm Max Reimer foi sócio atuante da Sociedade Ginástica), do Spitzkopf Klub, da Segelfliegergruppe, presidente da seção numismática do “Círculo de Orquidófilos, numismatas e filatelistas de Blumenau, presidente do 1º moto Clube de Blumenau. Em 1965 e 1967, participou de corridas de carros realizadas em Blumenau.

A medalha criada por Fritz Wilhelm Max Reimer, desenhada por Emil Müller teve seus modelos esculpidos por Erwin Teichmann. A gravação dos cunhos foi feita por Hermann Klever.
O acabamento em material porcelânico foi feito fosco, conforme mencionado, executado pela Porcelana Schmidt, localizada em Pomerode.

No anverso da medalha consta o busto de Hermann Bruno Otto Blumenau e no verso, o brasão da cidade de Blumenau.
Blumenau não tem um grande Museu Municipal, no qual os blumenauenses e visitantes pudessem observar essa história. Encontramos dois desses medalhões à venda em sites de vendas do Brasil na web, por valor bem acessível.






Um registro para a História.
Sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
@AngelWittmann (Twitter)





