Bens de sócios da Nossa Senhora da Glória são leiloados e arrecadam R$ 6 milhões

Valor será utilizado para pagar dívida da empresa com os ex-funcionários

Bens de sócios da Nossa Senhora da Glória são leiloados e arrecadam R$ 6 milhões

Valor será utilizado para pagar dívida da empresa com os ex-funcionários

Jotaan Silva

Os ex-funcionários da Nossa Senhora da Glória tiveram uma notícia boa na última semana, após o leilão de diversos bens de sócios das empresas. De acordo com informações confirmadas pelo Tribunal de Justiça do Trabalho da 12ª Região (TRT-SC), foram arrecadados R$ 6.292.467,90 com o arremate de 14 dos 25 itens oferecidos.

Os bens foram encontrados após uma ampla pesquisa realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sindetranscol) com o auxílio da Secretaria de Execução do TRT-SC. Através dos nomes dos sócios eles conseguiram encontrar 25 bens e usá-los como forma de angariar dinheiro que vão servir para pagar parte da dívida com os mais de 100 trabalhadores – sendo grande maioria da Glória.

Dos 11 bens não arrematados, dois tiveram os leilões suspensos devido a liminares na Justiça e outros nove não tiveram interessados. A expectativa é que esses sejam vendidos de forma direta e não por leilão.

Central Sul Leilões/Reprodução

Quando e como os valores devem ser distribuídos entre os funcionários ainda não ficou definido. De acordo com o setor jurídico do Sindetranscol, como o valor da dívida ainda está sendo calculado, a expectativa é que a liberação do dinheiro, por parte da Justiça, ocorra apenas depois de finalizada esta etapa.

Valor é baixo mas traz esperança

O valor de pouco mais de R$ 6 milhões não chega nem perto do montante total da dívida com os ex-trabalhadores. Uma estimativa do Sindetranscol aponta que a empresa deve cerca de R$ 40 milhões, entre salários atrasados de 2015 e 2016, FGTSs não depositados e rescisões não pagas para os mais de mil ex-funcionários.

Manifestação realizada pelo Sindetranscol em 2019. Foto: Jotaan Silva / O Município Blumenau

Porém, mesmo sendo um valor considerado “baixo” levando em consideração a dívida, a garantia de que os recursos existem acendeu a luz de esperança para os trabalhadores que, em sua maioria, nem acreditavam mais em receber. Um deles é Osnir Schmitt, de 64 anos, que trabalhou por 14 anos como motorista na Glória.

“Não tínhamos nada, nem uma luz no fim do túnel. Mas de repente surge isso, ficamos muito esperançosos, o semblante até muda. Muito bom saber que iremos receber, mesmo que não seja o valor total, mas pelo menos alguma coisa do que é nosso direito”, afirmou.

Outro exemplo parecido é de Sandro Iran Ferreira, outro motorista que atuou por 14 anos e 4 meses na Glória. Ele conta que passou por muitas dificuldades no início de 2016, tendo que pegar dinheiro emprestado e criando dívidas, pela falta de pagamentos e sumiço da empresa. Com o passar do tempo, ele já não acreditava que iria receber seus direitos.

“Eu não tinha mais esperança. A minha esposa é que sempre ficava falando que uma hora a gente iria receber alguma coisa, mas eu não acreditava. O sindicato lutou muito, é verdade, e agora a gente viu resultado e as expectativas aumentam, né?”, relatou à reportagem.

De acordo com o advogado do Sindetranscol, Leo Bittencourt, são mais de 1.100 processos ativos na Justiça do Trabalho.

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