Blumenau teve mais de 100 casos de estupros contra crianças e adolescentes em 2021

Campanhas impulsionaram número de denúncias

Blumenau teve mais de 100 casos de estupros contra crianças e adolescentes em 2021

Campanhas impulsionaram número de denúncias

Jotaan Silva

Dados apresentados pela Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina (SSP-SC) – a pedidos do jornal O Município Blumenau – apontam um aumento de 53% no número de casos de estupros contra crianças e adolescentes de vulneráveis – de 0 a 14 anos – em Blumenau, entre 2019 e 2021. Em Santa Catarina, no mesmo período, o acréscimo foi de 21%.

Enquanto em Blumenau foram registrados 66 casos em 2019, 81 em 2020 e 101 em 2021, em Santa Catarina foram 2.334, 2.436 e 2.841 nos mesmos períodos respectivamente.

Apesar dos números assustarem e mostrarem um crescimento contínuo, a delegada Juliana Tridapalli, responsável pela Delegacia da Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) em Blumenau, relata que são duas visões diferentes em relação aos registros. Num primeiro caso, houve uma melhora na forma de união dos dados, que pode ter acarretado no aumento registrado entre 2019 e 2020.

“Antes era mais difícil juntar os dados dos boletins feitos presencialmente e por telefone ou internet, e isso não acontecia tão bem, por isso, os dados de 2019 são maiores do que ali apontados. Já a partir de 2020 começamos a fazer esse trabalho. Na minha visão, só isso explica o aumento entre os dois anos, porque na realidade não foi o que ocorreu”, explica a delegada.

Ainda de acordo com Juliana, entre 2019 e 2020 o que se percebeu foi uma queda no número de casos denunciados. A possível motivação foi a pandemia, quando as crianças não estavam indo à escola – um dos locais onde mais se percebem e surgem as denúncias – e também porque o abusador estava junto da criança por mais tempo – dados apontam que os maiores autores dos crimes são parentes ou pessoas próximas às vítimas.

“Infelizmente nesse período percebemos uma redução nas denúncias, muito pela dificuldade em fazê-las, ou das pessoas perceberem a violência. Não quer dizer que teve menos casos, mas sim, que estava mais difícil”, completa.

A segunda visão em relação aos números é que se apresenta em 2021. Com a vida voltando a normalidade aos poucos, ao menos em relação às crianças na escola e pessoas retornando ao trabalho presencial, as denúncias presencialmente voltaram a ter a mesma movimentação que antes da pandemia, mas tiveram acréscimos pelo telefone e internet.

“É um reflexo das campanhas feitas pelos órgãos de segurança pública. Aumentou muito o número de registros de boletins pela internet, por exemplo, que antes não tinha. É muito importante nos casos onde não há como se vir presencialmente. Mas, a gente sempre reforça que vir até a delegacia é muito melhor, porque a criança pode falar com a psicóloga, a gente consegue entender os detalhes muito melhor, e consequentemente, dar seguimento às investigações de forma mais rápida”, afirma Juliana.

Orientações

A maioria dos casos de abusos contra crianças e adolescentes ocorre dentro de casa, seja por parentes como pai, padrastos, avôs, tios e etc, ou por pessoas próximas, como vizinhos e amigos dos pais. Diante do cenário, a delegada explica que a melhor forma de prevenção aos estupros é educar em relação às partes íntimas e prestar atenção no comportamento das crianças.

“Desde cedo, seja menino ou menina, eles precisam saber onde podem ser tocados e onde não podem, saber o que são as partes íntimas, para identificarem o que é errado e o que não é. Até porque, na maioria das vezes são pessoas que deveriam ser confiáveis que cometem os abusos”, relata.

Ela também explica que na maioria das vezes as crianças ficam incomodadas ou mudam o comportamento próximo das pessoas que cometem os abusos. Neste momento, é importante ter o diálogo aberto e de confiança com elas.

Ainda segundo a delegada, é importante na hora da conversa saber a forma de perguntar, evitando que as respostas sejam guiadas ou influenciadas. “Não se deve fazer perguntas que as respostas sejam sim ou não. Tem que fazer a criança contar o que aconteceu, sem parecer que estão pressionadas a dizer alguma coisa. Por isso a importância delas saberem o que é certo e o que é errado nestes momentos”, conclui.


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