Blumenauense deve gastar em média R$ 170 por dia em 2019

PIB da cidade pode chegar a R$ 18,7 bilhões neste ano de acordo com levantamento da Furb

Blumenauense deve gastar em média R$ 170 por dia em 2019

PIB da cidade pode chegar a R$ 18,7 bilhões neste ano de acordo com levantamento da Furb

Alice Kienen

Cerca de R$ 170 por dia. Esse será o gasto médio de um blumenauense em 2019, segundo levantamento da Universidade Regional de Blumenau (Furb). No total, o consumo da população blumenauense deve chegar a R$ 13,4 bilhões neste ano.

Os números do Índice de Potencial de Consumo, divulgado pela pesquisa nacional IPC Maps, foram analisados pelos pesquisadores da Furb em conjunto com os dados do Sistema de Informações Gerenciais e de Apoio à Decisão (Sigad), banco de dados local mantido pela universidade.

O professor e coordenador do Sigad, Nazareno Schmoller, explica que esses números surgem a partir de levantamentos de orçamentos familiares de grandes regiões metropolitanas.

“Os pesquisadores dão uma planilha para as famílias atualizarem com seus consumos. […] Ele é organizado por tipo de produto, como alimentação, veículos, medicamento, educação… Só para citar um exemplo, nós gastamos de quatro a cinco vezes mais com veículos do que com educação”, explica o professor.

Este valor de consumo representa 71% do PIB estimado para 2019 em Blumenau, que é de R$ 18,7 bilhões. De acordo com Schmoller, no restante do país o consumo das famílias costuma ser de 64% do Produto Interno Bruto.

Utilizando estes números, que não incluem os gastos de empresas, indústrias e do poder público, o consumo por dia em Blumenau deve ser de R$ 37 milhões. Se considerada apenas a população economicamente ativa (215 mil), a média é de R$ 170 por pessoa. Quando o valor é dividido por todos os 358 mil habitantes, a média é de R$ 103 por morador.

“Com esses dados podemos pensar o que podemos fazer para que esse potencial de consumo possa avançar”, comentou Schmoller em entrevista ao jornalista Jorge Theiss, da Rádio Nereu Ramos, nesta quinta-feira, 30.

Perspectivas para a economia

Na opinião do professor, para a melhoria da economia do país, é preciso aumentar a taxa de investimentos. Dessa forma, ao invés de apenas consumir produtos e fazer o dinheiro rodar, o cidadão estaria alavancando diretamente o crescimento econômico.

Um dos motivos apontados por ele para o brasileiro investir tão pouco são as altas taxas de juros pagas pelo cidadão. Para ele, o custo do capital no país é muito alto, o que atrapalha a infraestrutura econômica social.

“Comparando Blumenau com o resto do Brasil, perdemos para poucas cidades. Porém, comparando a outros países, nosso capital de consumo é muito baixo, o que pra economia não é muito bom”, opina.

Outro problema apontado por ele é a relação da população com os impostos. Para ele, o brasileiro deveria se preocupar menos com o valor sendo investido em tributações e mais em como ele está sendo investido. Ele também critica o costume brasileiro de se comparar a outras nações.

“Mais ou menos liberalismo, mais ou menos estatismo… não existe modelo ideal. O que importa é o bem estar das pessoas. […] Não temos que copiar ninguém, temos que desenvolver um modelo brasileiro que se encaixe nas nossas características”, defende.

Embora ele não acredite que o crescimento da economia neste ano será o esperado pela maioria da população, Nazareno Schmoller considera este um momento de crescimento, que deve trazer mudanças. Especialmente no âmbito estadual e municipal.

“Apesar de todas as disputas que estão ocorrendo, eu vejo que a população como um todo vai conseguir avançar. As mudanças são pequenas, mas a longo prazo vão gerar resultado. estamos um pouco atrasados, estamos um pouco lentos, mas vamos evoluir”, conclui.

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