“Conflito de Bolsonaro com o centrão parece briga de família”

Colunista resgata momentos da história recente em que grupo, hoje alvo de protestos, influenciou a vida política nacional

“Conflito de Bolsonaro com o centrão parece briga de família”

Colunista resgata momentos da história recente em que grupo, hoje alvo de protestos, influenciou a vida política nacional

Josué de Souza

No Brasil, as relações ente família e política se confundem, porém, nunca foram tão escrachadas como agora. Parece que a família Bolsonaro adora um barraco público, preferencialmente no Twitter.

Outra característica do Bolsonarismo é a busca de legitimidade pelo conflito. Cada semana temos um inimigo diferente. O inimigo da hora é o centrão. No último domingo, os manifestantes que foram às ruas em defesa do governo se insurgiram contra o grupo político. Claro que seguiram uma série de declarações do presidente.

O centrão, como campo político parlamentar, surge na cena política brasileira durante a constituição de 1987. Diversos partidos conservadores e de direita uniram-se a parte do PMDB e passaram atuar em bloco. O objetivo era dar apoio ao presidente José Sarney.

Boa parte dos partidos que compunham o centrão durante o governo Sarney era oriunda da Arena, partido de direita que dava sustentação à ditadura militar saudada pelo presidente e que no último 31 de março recebeu as “comemorações devidas”.

Mais tarde, durante o governo Dilma Rousseff (PT), o centrão voltaria a ter protagonismo político sob a regência de Eduardo Cunha (PMDB). Neste período, faziam parte do centrão cerca de oito partidos políticos, entre eles o Partido Progressista (PP) do então deputado Jair Bolsonaro, ao qual esteve filiado de 2005 a 2016.

Eduardo Cunha, assim como o centrão, foram os principais articuladores da queda da presidenta. Na seção de abertura do impeachment de Dilma, Bolsonaro, ao justificar o voto, elogiou Eduardo Cunha dizendo que o então presidente da Câmara entraria para a história.

Durante o governo Temer, foi o centrão que ocupou o maior número de ministérios no Palácio do Planalto e foi a principal força política no Congresso Nacional. Chegou a contar com 270 deputados. Nesse período, o número de partidos pertencente ao bloco parlamentar também cresceu, subindo para 13, dentre eles o Partido Social Liberal – PSL, atual partido do capitão.

Entre os feitos do centrão no governo Temer está o engavetamento de dois processos de impeachment contra Michel Temer.

Bolsonaro, nos últimos 27 anos, foi deputado federal. Durante esse período, foi eleito e reeleito deputado por partidos que compõem esse campo parlamentar. O conflito com esse grupo parece muito como briga de família, de um filho que agora se demonstra ingrato com o mecanismo político que o pariu.

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