Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb.

“Bolsonaro quer um partido para chamar de seu”

Colunista comenta possível saída de Bolsonaro do PSL

Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb.

“Bolsonaro quer um partido para chamar de seu”

Colunista comenta possível saída de Bolsonaro do PSL

Josué de Souza

No último domingo, em entrevista à Rede Record, o presidente Bolsonaro confirmou que deve divorciar-se do PSL. Na entrevista, o presidente informou que vai sair do partido para formar uma nova legenda. Junto com ele, o presidente calcula que deve levar para o seu novo partido cerca de 30 deputados. Bolsonaro brinca com o perigo em uma manobra política que pode colocar o seu governo de vez na beira do abismo.

A crise de Bolsonaro com o PSL é motivada por disputas pelo fundo partidário. O PSL saiu de um deputado eleito em 2014, para 55 em 2108. O partido é hoje o segundo maior na Câmara do Deputados. A participação no fundo partidário saltou de R$ 9,7 milhões em 2018 para R$ 110 milhões em 2019. Calcula-se que em 2020 o valor fique entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões.

A disputa por essa fortuna colocou Bolsonaro e sua turma em rota de confronto com o partido. O conflito ganhou contornos públicos quando o presidente foi gravado por um correligionário dizendo que o presidente do partido estava queimado.

A celeuma também teve episódios de batidas da Polícia Federal na casa do presidente do partido, Deputado Luciano Bivar (PSL – PE) e vídeo no Twitter do presidente retratando a legenda como uma hiena.

Se confirmar a saída de Bolsonaro, será a nona vez que o presidente muda de legenda. Neste sentido, Bolsonaro é um político sem partido. Desde vereador na década de 1990, o capitão passou por PDC, (1990-1993) PPR (1993-95), PPB (1995-2003), PTB (2003-2005), PFL (2005), PP (2005-2016), PSC (2016-2017) e o PSL (2018 até hoje).

As mudanças partidárias nunca aconteceram por questões ideológicas. As duas primeiras foram por fusões partidárias e as outras por projetos pessoais. O que é um contrassenso para um presidente que faz um governo marcadamente ideológico.

Aliás, na entrevista da Record, Bolsonaro deixa claro que quer sair do partido assim que possível para conseguir lançar candidatos aliados para as eleições municipais em 2020. Bolsonaro quer um partido para chamar de seu.

O desembarque do presidente terá também uma outra consequência inusitada. Transformará o PT em líder isolado em número de deputados na Câmara Federal. O Partido dos Trabalhadores conta com 54 deputados. O segundo será o Partido Liberal, uma fusão do antigo PR com o Prona, com 40.

Os problemas do governo Bolsonaro não é a esquerda ou o PT. É a sua inabilidade política, sua falta de projeto de governo e sua visão tacanha que o faz apenas trabalhar para interesses pessoais ou familiares esquecendo-se do país.

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