Centro que dá assistência a moradores de rua de Blumenau será fechado

Centro Pop, que fica na rua São Paulo, terá serviços centralizados no Abrigo Municipal

Centro que dá assistência a moradores de rua de Blumenau será fechado

Centro Pop, que fica na rua São Paulo, terá serviços centralizados no Abrigo Municipal

Julia Schaefer

O Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro Pop) será fechado até o fim de julho. A prefeitura de Blumenau afirma que os serviços oferecidos, como atendimento psicológico, assistência social e alimentação, serão transferidos ao Abrigo Municipal (Amblu) e nos Centros de Referência em Assistência Social (Cras e Creas) dos bairros.

O Centro Pop, diferente do Abrigo Municipal, fica aberto apenas durante o dia. Ele presta assistência social e amparo, além de alimentação, a todos os moradores em situação de rua em Blumenau, sem restrições.

Prefeitura de Blumenau/Divulgação

O Abrigo Municipal, por sua vez, funciona 24 horas e possui regras: há horário para dormir, acordar, além de não ser permitido chegar ao local sob efeito de álcool ou drogas (problema frequente entre moradores de rua). Essas exigências fazem com que muitas dessas pessoas prefiram permanecer nas ruas à noite, mesmo durante os dias frios do inverno.

“Estamos forçando as pessoas a aderirem ao sistema. O modelo de política (do Centro Pop) na teoria é uma coisa que funciona, mas na prática, não”, justifica o secretário de Desenvolvimento Social, Oscar Guilherme Grotmann Filho.

De acordo com ele, a ferramenta devia ser uma porta de entrada para o morador de rua receber um tratamento e buscar um local para trabalho, mas, por vezes, as pessoas vão até o espaço, fazem refeições e saem.

“Parece um albergue”, critica Oscar.

Abrigo ou passagem de ônibus

A partir de agora, segundo Grotmann, o morador de rua terá duas opções: ou aceita as regras e recebe atendimento do Abrigo Municipal, ou aceita o pagamento de uma passagem de ônibus para o município de origem, quando for o caso. Há ainda uma terceira alternativa: permanecer na rua, mas sem contar com o auxílio do Centro Pop.

O secretário garante que, neste caso, a pessoa terá acesso ao apoio psicológico por parte do governo, mas esse serviço será ofertado nos Centros de Referência em Assistência Social.

O diretor de Políticas Públicas sobre Drogas e Reintegração Social, Marciano Tribess, afirma que mais de 80% da população de rua de Blumenau é de outras regiões. A prefeitura avalia alugar um espaço menor (o imóvel onde fica o Centro Pop custa cerca de R$ 4,5 mil mensais) para abrigar apenas o serviço de abordagem nas ruas. Neste local os moradores de rua teriam acesso a roupa e banho, além do encaminhamento ao Amblu.

Conselho de Assistência Social

O fechamento do Centro Pop ainda terá que passar pela aprovação do Conselho de Assistência Social. Uma reunião está marcada para o dia 19 de julho, próxima quinta-feira. De acordo com Tribess, a tendência é a de que o conselho aprove a mudança.

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