César Wolff

César Wolff é advogado e professor da Furb. Foi presidente da subseção Blumenau da Ordem dos Advogados do Brasil entre 2010 e 2015. Escreve sempre às quintas-feiras.

César Wolff: “É inaceitável que se substitua o chefe da polícia a pedido de partido político”

César Wolff questiona ingerência política na Polícia Civil de Blumenau

César Wolff

César Wolff é advogado e professor da Furb. Foi presidente da subseção Blumenau da Ordem dos Advogados do Brasil entre 2010 e 2015. Escreve sempre às quintas-feiras.

César Wolff: “É inaceitável que se substitua o chefe da polícia a pedido de partido político”

César Wolff questiona ingerência política na Polícia Civil de Blumenau

César Wolff

A polícia e as mazelas da ingerência política

Esta semana, um fato um tanto inusitado chamou a atenção. Não é razoável, nem muito menos aceitável, que governador de estado substitua a chefia regional de Polícia Civil em atendimento a um pedido formal de presidente (local) de partido político. Isto ocorreu em Blumenau.

Custa acreditar que a atividade policial, estritamente técnica, também esteja suscetível a tão vulnerável influência da política partidária. Assim como algumas outras funções de estado que detém o chamado “poder de polícia”, a exemplo da vigilância sanitária, dos órgãos de proteção ao meio ambiente e Procons, os interesses partidários, porque sempre representantes de apenas um segmento ideológico da sociedade, se revelam incompatíveis com o interesse público e o bem comum.

Nos moldes em que ocorrido no âmbito da Polícia Civil da regional de Blumenau, por exemplo, não se aceitaria tamanha ingerência no âmbito da Operação Lava-Jato. Neste caso, a nação a rejeitaria imediatamente, pois já se formou amplo consenso de que a atividade da Polícia Federal não deve ser politizada.

E por que a mesma blindagem não se faz sentir em relação à Polícia Civil catarinense?

A atividade desenvolvida pelas duas polícias é a mesma, mas a atenção que lhes devota a sociedade é diferente. Isso se dá, dentre outras razões, porque a Polícia Civil de Santa Catarina ainda precisa conquistar a confiança dos catarinenses no que tange, especialmente, às investigações dos chamados crimes do colarinho branco, quase sempre deflagradas pelo Ministério Público.

A julgar pela quantidade de falcatruas apuradas no âmbito do governo federal, pode-se imaginar que ainda são poucos os inquéritos policiais a investigar as administrações estadual e municipais.

Enquanto esse cenário não mudar, a tendência é que a sociedade catarinense continue relegando à Polícia Civil o papel de repressora, apenas, dos crimes cometidos com violência ou grave ameaça. E isto é muito pouco diante da grandeza de sua missão constitucional.

César Wolff escreve sempre às quintas-feiras

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