César Wolff

César Wolff é advogado e professor da Furb. Foi presidente da subseção Blumenau da Ordem dos Advogados do Brasil entre 2010 e 2015.

César Wolff: “É preciso extinguir as eleições gerais”

Para colunista, disputa estadual fica em segundo plano devido à corrida para a presidência

César Wolff

César Wolff é advogado e professor da Furb. Foi presidente da subseção Blumenau da Ordem dos Advogados do Brasil entre 2010 e 2015.

César Wolff: “É preciso extinguir as eleições gerais”

Para colunista, disputa estadual fica em segundo plano devido à corrida para a presidência

César Wolff

É preciso extinguir as eleições gerais

Em duas semanas, no dia 7 de outubro, seremos chamados, em verdade convocados, a pressionar mais de 20 vezes o teclado das urnas eletrônicas. Seguindo a ordem legal, serão quatro dígitos para deputado federal, e na sequência mais cinco dígitos para deputado estadual, três para primeiro senador, três para segundo senador, e então dois dígitos para o candidato a governador e outro tanto para presidente, além da tecla “confirma”.

Essa sequência, é claro, pode ser reduzida a sete toques se o eleitor votar em branco e apenas confirmar. Como também pode ser aumentada se for preciso corrigir eventual desacerto.

A rigor, os 20 dígitos representarão uma quantidade infinitamente maior de escolhas, diga-se, consciente e até inconscientes.

Nas chamadas “eleições gerais” o eleitor se vê na contingência de conhecer, discutir, debater e optar por diversas políticas, questões, matérias, enfim, temas dos mais diversos possíveis. Muitos destes sem qualquer conexão entre si, até porque se misturam assuntos de competência do governo federal e dos estaduais, assim como assuntos afetos ao Executivo e ao Legislativo, e até do Judiciário.

Por exemplo, tem candidato a presidente que se dá ao luxo de não responder questões ditas polêmicas ao argumento de que a matéria é afeita ao Congresso Nacional. Outros escondem suas verdadeiras opiniões com a escusa de que a Justiça decidirá. Enfim, uma completa mistura de assuntos e de responsabilidades.

É preciso reconhecer que, mesmo para quem está acostumado com o meio político, com a leitura diária e o acompanhamento do noticiário, está difícil de votar. A fragmentação partidária, o desalinhamento dos diretórios estaduais com os diretórios nacionais, diga-se, dentro de um mesmo partido político, e a multiplicidade de legendas, com a conseqüente inflação de candidaturas, distancia o eleitor da boa e sopesada decisão.

Nesse sentido, a redução dos tempos de campanha e de propaganda no rádio e na TV não ajuda o eleitor. Além disso, e inegavelmente, os candidatos a presidente roubam a cena, o interesse da mídia e do eleitorado, relegando as candidaturas aos governos de estado a um segundo plano. Até nós, blumenauenses, que temos três e recentes ex-prefeitos em distintas candidaturas ao Palácio da Agronômica, acabamos distantes de suas campanhas.

Por isso, é fundamental que se insira numa reforma política o debate sobre a desvinculação entre as eleições nacionais e as estaduais. Só assim se permitirá uma melhor organização das campanhas eleitorais, ao proporcionar ao eleitor uma escolha mais apurada, e, por conseguinte, mais adequada. Isso interessa a todos, em especial a nós eleitores, brasileiros sim, mas catarinenses também.

César Wolff escreve sempre às quintas-feiras

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