Cirurgia inédita e gratuita será feita nesta segunda-feira em Blumenau

Uma gestante será submetida a uma operação de correção intrauterina de mielomeningocele

Cirurgia inédita e gratuita será feita nesta segunda-feira em Blumenau

Uma gestante será submetida a uma operação de correção intrauterina de mielomeningocele

Redação

A mielomeningocele é uma má formação da coluna que ocorre já nos primeiros meses de gestação e atinge cerca de 3 a cada 10 mil nascidos vivos. Uma cirurgia para correção intrauterina de mielomeningocele acontecerá nesta segunda-feira, dia 16, em Blumenau. O SUS não realiza o procedimento em Santa Catarina e os convênios médicos só pagam a operação, com custo aproximado de R$ 80 mil, judicialmente.

A Associação de Amigos, Pais e Portadores de Mielomeningocele (AAPPM), em conjunto com o obstetra Daniel Bruns, de Blumenau, e o médico Charles Kondageski, de Florianópolis, com o apoio do Hospital Santa Catarina, oferecerá a operação de forma gratuita para Luciane da Silva, de Jaraguá do Sul, que está na 23ª semana de gravidez..

A cirurgia
Normalmente, assim que o bebê nasce é realizado o fechamento cirúrgico da lesão. A cirurgia intrauterina fechará a coluna antes do bebê nascer. Com isso, cai de 82% para 40% a necessidade de a criança precisar colocar uma válvula no cérebro para tratar a hidrocefalia, que está associada à mielomeningocele.

Bruns explica que a colocação da válvula, mesmo sendo necessária, pode atrapalhar o desenvolvimento cognitivo da criança:

“Por isso é uma vitória não precisar desse procedimento após o nascimento”, comemora.

O obstetra explica que a cirurgia deve ser realizada até a 26ª semana de gravidez e a mãe não pode ter doenças infecciosas. Ele explica também que a cirurgia é importante e impede alguns problemas depois que a criança nasce, porém, não serve para curar.

O procedimento envolve riscos: pode haver descolamento de placenta, e a mãe pode ter complicações como edema de pulmão e trombose, por se tratar de cirurgia muito delicada e longa. Além disso, as crianças que passam pela cirurgia intrauterina acabam nascendo antes dos nove meses de gestação. Mas ainda assim é uma esperança, acreditam os especialistas.

A mielomeningocele
As pessoas que nascem com a má formação podem apresentar diversas disfunções associadas, como hidrocefalia, incontinência urinária e fecal, distúrbios sensitivos (falta de sensibilidade e de movimentos) e ortopédicos (má formações ósseas), entre outros.

A doença pode ser causada por problemas nutricionais pontualmente associados à falta de ácido fólico durante o período pré-concepcional. Outras causas são o uso de medicamentos anticonvulsivantes, cirurgias bariátricas e alterações genéticas que interferem no metabolismo do ácido fólico. As sequelas mais comuns são paraplegia dos membros inferiores, exigindo acompanhamento médico vitalício.

 

Quem é a AAPPM

A Associação é uma Organização Sem Fins Lucrativos que atende pessoas com mielomeningocele e tem por missão promover ações de prevenção, proteção, orientação e amparo às pessoas com deficiência física em decorrência da mielomeningocele.

A vice-presidente da AAPPM, Edina Esmeraldino, explica que a associação tem por objetivo auxiliar e por isso bancará as despesas com o hospital:

“Nossa intenção é de conseguir, futuramente, uma parceria com o hospital para que não envolvam custos. Vamos utilizar nossos recursos para pagar essa primeira cirurgia porque a mãe não pode mais esperar”, explica.

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