Como prevenir e reagir a casos de engasgamento de bebês

Segundo especialistas e socorristas, situação é frequente, mas pode ser revertida a tempo

Como prevenir e reagir a casos de engasgamento de bebês

Segundo especialistas e socorristas, situação é frequente, mas pode ser revertida a tempo

Alice Kienen

Afinal, o bebê deve dormir de barriga para cima ou de lado? O que é mais seguro, dar leite na mamadeira ou no copinho? É possível salvar a vida da criança apenas com tapinhas nas costas?

A tragédia familiar em que morreram duas irmãs gêmeas de apenas dois meses e meio, na noite deste domingo, 26, em Blumenau, deixou pais em alerta e cheios de dúvidas sobre os riscos de engasgamento.

As mortes simultâneas das meninas Anne e Beatriz, no apartamento da família, chamaram atenção de socorristas. Elas haviam nascido prematuras de 27 semanas, permaneceram 80 dias no Hospital Santo Antônio e estavam em casa há cerca de uma semana.

Segundo os bombeiros, havia sinais de que as meninas haviam aspirado leite, informação que o Instituto Geral de Perícias (IGP) confirmou na manhã desta segunda.

Casos são frequentes

Engasgamentos não são incomuns entre crianças, especialmente recém-nascidas. Entretanto, médicos e bombeiros afirmam que, na maioria das vezes, é possível evitar um fim trágico para a família.

De acordo com Renan de Castro e Souza, médico do Samu, a equipe recebe ligações de familiares com bebês engasgados com frequência. O procedimento padrão do órgão é orientar os pais a fazer manobras de desobstrução das vias aéreas enquanto o socorro se desloca. Muitas vezes, a criança volta a respirar antes mesmo da chegada do atendimento.

“A orientação é que, quando aconteça isso, na dúvida, ligue no 192 e converse com um médico. Mas se a família já tiver experiência e conhecimento, pode fazer os procedimentos em casa”, esclarece.

O procedimento é simples. Basta apoiar a barriga da criança no antebraço, segurar o queixo dela com as mãos e inclinar o corpo dela levemente para baixo. As pernas dela devem ficar abertas, uma para cada lado. Com algumas batidas leves nas costas, o bebê já deve ser capaz de respirar novamente.

 

Como prevenir

Especialistas indicam que o mais seguro é colocar os bebês para dormir de barriga para cima, evitando que possam ficar com a barriga para baixo e se asfixiar acidentalmente. Outras medidas também devem ser tomadas, como escolher um colchão que não afunde e não encher a área com brinquedos e travesseiros.

“Existia um mito de que a criança deveria dormir de lado por causa do vômito. A verdade é que ,quando a criança tem algum tipo de vômito, começa a tossir. Ela chama a atenção dos pais”, explica o médico Renan de Castro e Souza.

A enfermeira coordenadora do Banco de Leite Humano de Blumenau, Elisabeth Kuehn de Souza, indica que o maior risco está em alimentar a criança por meio da mamadeira e deixá-lo sozinha depois, especialmente deitada. Para ela, o ideal é que o bebê fique no colo de um adulto para garantir que arrote.

“Podemos ver na natureza que os bebês de outras espécies ficam o tempo todo no colo da mãe. Ficar com a mãe ou com alguma supervisão de algum adulto ajuda muito a evitar esses acidentes”, aconselha.

De acordo com a especialista, o leite deve ser oferecido em um copinho, para garantir a segurança do bebê. Ao beber o líquido da mamadeira, a criança acaba aspirando muito ar, o que facilita o engasgo.

“No hospital os bebês só são alimentados com copinho. Em Blumenau, trabalhamos desde 1996 para que não utilizem mamadeira nas creches. Desde então, não tivemos nenhuma morte por engasgamento nas creches da cidade”, comemora.

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