Conheça a história do boneco quebra-nozes, uma tradição que Pomerode resgata no Natal

Cidade tem a única escola de tornearia para fabricação de brinquedos em madeira do Brasil

Conheça a história do boneco quebra-nozes, uma tradição que Pomerode resgata no Natal

Cidade tem a única escola de tornearia para fabricação de brinquedos em madeira do Brasil

Redação

Por Fernanda Ribas

O sério soldadinho de paletó vermelho, calça amarela e cabelos e barbas brancos exibe-se esbelto em todos cantos da Weihnachtsfest, em Pomerode. Posa para a foto com o turista, enfeita a árvore de Natal e, em alguns casos, até cumpre sua função primordial: a de quebrar nozes.

No Natal de Pomerode ele chama mais atenção do que o Papai Noel. O bom velhinho até ganhou uma casa, mas é o exército de quebra-nozes feitos de madeira pelos alunos e professores da Escola de Tornearia (Drechslerschule) que aguçam a curiosidade de quem passa pela vila de Natal.

A tradição dos bonecos foi trazida da região de Erzgebirge, na Saxônia, Alemanha, e surgiu no século 18. A professora da escola, única do Brasil que segue as técnicas alemãs na confecção de brinquedos e bonecos de madeira, Sandra Prochow Greuel, foi até a Alemanha em 2009 para aprender a confeccionar o enfeite. Desde 2012, alunos de Pomerode e cidades vizinhas se encontram na Fundação Cultural para manter viva a história dos soldadinhos que sustentaram a indústria do artesanato do Leste alemão naquele século.

Nos anos 1800 com a decadência da extração de metais na região serrana da Saxônia, sobrou para os moradores da pequena cidade de Seiffen a madeira, matéria-prima que serviu para sustentar muitas famílias com a confecção do utensílio para quebrar nozes e enfeitar as casas no Natal.

Confira o vídeo e entenda a tradição do quebra-nozes

Tudo começa com um pedaço de madeira seca que vai ganhando forma no torno com a ajuda das ferramentas e destreza dos aprendizes. O processo de produção de um soldado dura seis horas – desde o desbaste da madeira até a pintura final. O aposentado de Penha, João Alberto Pfeilestucker, 63, esperou seis meses para conseguir uma vaga nas aulas de tornearia e há algumas semanas trabalha na confecção de um quebra-nozes:

“Vai ser um presente de Natal ou, se eu gostar, posso tentar vender na lojinha. Trabalhar com madeira foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida”, conta o aposentado, que trabalhou por 40 anos numa contabilidade e hoje nem se queixa de ficar em pé diante do torno.

Os trabalhos da escola de tornearia em madeira podem ser acompanhados pelos visitantes no Centro Cultural de Pomerode até sábado. Nesta quinta a sexta, o horário de atendimento é das 17h às 23h. Sábado e domingo, das 14h às 23h.

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