Conheça o processo de doação e conservação dos 40 cadáveres de laboratório da Furb

Corpos chegam a ficar mais de um ano mergulhados em piscina com solução de formol

Conheça o processo de doação e conservação dos 40 cadáveres de laboratório da Furb

Corpos chegam a ficar mais de um ano mergulhados em piscina com solução de formol

Cristóvão Vieira

Cerca de oito cursos de graduação da Universidade Regional de Blumenau (Furb) realizam pesquisas com uso de cadáveres. Para isso, a equipe do Laboratório de Anatomia tem muito trabalho: são meses de imersão dos corpos com solução fixadora, limpeza das piscinas com o formol, preparação dos cadáveres na chegada e, é claro, todo cuidado com o manuseio dos corpos.

Atualmente, o laboratório conta com cerca de 40 corpos. Entre eles, 20 estão mergulhados na solução – esperando o fim desse procedimento para, aí sim, estarem à disposição dos acadêmicos – enquanto os outros 20 já estão devidamente dissecados. Realizam estudos com os corpos todos os alunos do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Furb, além de cursos de outras áreas que também têm anatomia no currículo, como Dança.

Qual a origem dos cadáveres?

Uma das principais dúvidas sobre o procedimento de pesquisas com cadáveres é quanto ao perfil dos indivíduos que têm seus corpos entregues para a realização dos estudos. Conforme explica Júlio Cesar Gruebel, técnico de laboratório, na Furb a maior parte destes cadáveres são de pessoas que não tiveram seus corpos reclamados.

Ou seja, indivíduos que faleceram e não houve reconhecimento de familiares, sendo na grande maioria dos casos indigentes e andarilhos. “Eles param no Instituto Médico Legal (IML) sem identificação ou reconhecimento. Neste tipo de caso, a Furb tem um convênio firmado com a Secretaria de Segurança Pública para obter os corpos de Blumenau e região”.

Porém também há, em menor quantidade, as doações espontâneas e voluntárias em vida. “São pessoas que procuram, conscientemente, a forma legal de realizar esta contribuição. Elas podem realizar a parte da documentação na Furb, mediante a presença de uma testemunha”. Gruebel alerta para a importância, neste caso, de comunicar familiares ou conhecidos para que o desejo seja cumprido após a morte.

Embora o número de cadáveres esteja adequado para as pesquisas, conforme explica o técnico, novos corpos são sempre bem-vindos no laboratório. Em média, chegam ao local dois novos cadáveres por ano.

Processo de conservação

Após receber o cadáver do IML, a equipe do Laboratório de Anatomia faz a chamada formalização fora do mergulho da cuba. Os profissionais acessam a artéria femoral localizada na região da coxa para infiltrar uma bombona de formol. O produto químico corre pelos vasos sanguíneos para realizar uma conservação interna do corpo. Feito este procedimento, é necessário aguardar de quatro a cinco dias para a solução fazer efeito.

Passado este período de espera, aí sim o cadáver é mergulhado na solução fixadora. “Durante este ano de imersão, a gente chega a remover o cadáver para realizar a limpeza das cubas. Mas é interessante tomar o cuidado pra não fazer a dissecação antes do tempo”.

Segundo Gruebel, em bom estado de conservação os cadáveres em seu formato integral chegam a durar de cinco a dez anos. “Com os membros, esta é a duração máxima. A gente tenta aproveitar o máximo possível. Depende do desgaste do tecido. Depois é removido os órgãos das cavidades, cabeça e pescoço, e aí são mais alguns anos de duração”.

Perfil dos corpos

Na Furb, são cerca de 40 corpos, sendo que há desde fetos – grande parte de abortos espontâneos, em um convênio realizado – até idosos. Porém, há um perfil mais comum entre os objetos de estudo. A grande maioria são cadáveres de homens de meia-idade, com baixa presença de corpos femininos para estudo.

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