Covid-19: entenda porque Blumenau revive momento preocupante com relação à pandemia

Cidade enfrenta crescimento no número de casos e deve começar a receber pacientes de UTI de outras regiões do estado

Covid-19: entenda porque Blumenau revive momento preocupante com relação à pandemia

Cidade enfrenta crescimento no número de casos e deve começar a receber pacientes de UTI de outras regiões do estado

Victor Palmeira

A cidade de Blumenau voltou a viver um momento preocupante por conta da pandemia do novo coronavírus. O município registra alta de casos nas últimas semanas, e há uma tendência de aumento da ocupação dos leitos de UTI na cidade, não apenas por conta dos pacientes de Blumenau, mas também por eventuais transferências de outras regiões que também vivem estágio delicado da pandemia.

Um alerta foi dado pelo prefeito Mário Hildebrandt (Podemos), em reunião com representantes empresariais de Blumenau na manhã desta quarta-feira, 17.

“Somos a última fronteira de leitos de UTI no estado. Paralelamente, nossos casos têm começado a subir de modo galopante. Há um risco de chegar a uma complicação tamanha ou maior que a do oeste. Estou dizendo que, se não tomarmos cuidado, termos de correr atrás”, disse o prefeito.

A menção ao Oeste do estado acontece após a declaração de colapso da rede de saúde da região no final de semana. Segundo o painel de monitoramento dos leitos de UTI do Governo do Estado, a ocupação de leitos do oeste está em 98,5%.

O alerta foi corroborado pela vice-prefeita de Blumenau, Maria Regina Soar (PSDB). Ela também é a coordenadora da Comissão de Enfrentamento ao novo Coronavírus.

“Todo o cenário mostra que os leitos de UTI do estado estão sendo ocupados com pacientes graves. Nossa região estava em uma situação confortável até o momento, mas vemos que o cenário já está nos alertando. Estão vindo muitos pacientes do oeste e ocupando os leitos vazios que tínhamos”, relata a vice-prefeita.

“Nós não queremos ampliar medidas restritivas, mas se for necessário nós a tomaremos no momento adequado para proteger a vida das pessoas. A gente não quer fechar ninguém, mas infelizmente daqui a pouco vai ter que acontecer”, finaliza Mário Hildebrandt.

Cenário preocupante para Blumenau e região

Os fatores que colocam Blumenau numa situação delicada no momento são vários. Confira a seguir:

Número crescente de novas contaminações

Segundo levantamento feito pelo Painel de Monitoramento da Covid-19 do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Vale do Itajaí (Cisamvi), a média móvel de casos na cidade Blumenau mais que dobrou em menos de um mês.

O média era de 93 casos diários em 23 de janeiro, e saltou para 199 casos por dia nesta quarta-feira, 16. A média móvel é calculada sobre o registro de novos casos dos últimos sete dias.

Desrespeito às medidas restritivas

Um dos motivos apontados para o crescimento das infecções com o novo coronavírus é o desrespeito às medidas restritivas. Aglomerações, pessoas sem máscara e a falta do uso do álcool em gel ajudam a contribuir com o espalhamento do vírus.

Só no último final de semana, a Polícia Militar de Blumenau encerrou três festas em casas noturnas da cidade.

“Desde o início nós temos falados para os jovens que eles são os que menos sofrem as consequências, mas não quer dizer que não tenham consequências. Hoje em dia, alguém não sabe que tem que usar máscara? Alguém não sabe que tem que usar álcool em gel? Alguém não sabe que tem que manter os distanciamento? Nós estamos falando isso há um ano!”, dispara o prefeito de Blumenau Mário Hildebrandt.

Nova variante do coronavírus

Santa Catarina já confirmou dois casos da variane brasileira do coronavírus, conhecida como P.1, ambos em Joinville. O primeiro caso foi de um homem de 55 anos, que teve o resultado confirmado pela Fiocruz no dia 11 de fevereiro. Já o segundo foi confirmado nesta quarta-feira, 16. Ambos estiveram recentemente em Manaus, capital do Amazonas.

Para identificar pacientes que estão infectados com a cepa que circula na região amazônica, já identificada em pelo menos outros dez estados, é preciso realizar um procedimento de sequenciamento genético.

“Nós somos uma cidade interligada com o mundo, temos pessoas daqui morando em diversas partes do planeta. Os negócios estão acontecendo e as pessoas também viajam pelo Brasil. Hoje, eu não sei qual é a variante que não temos aqui em Blumenau, aponta Mário Hildebrandt.

Segundo evidências preliminares, a nova variante conhecida como P.1 é mais infecciosa que a cepa comum do Sars-Cov-2. Os infectologistas afirmam ainda que não existem comprovação de que as vacinas oferecidas no momento não sejam eficazes contra a nova variante.

Falta de vacinas

As doses de vacina para o combate à Covid-19 encerraram nesta terça-feira, 16. A Central de Vacinação, que funciona no Setor 1 do Parque Vila Germânica, já não tem atendimento nesta quarta-feira, 17.

Restam ainda algumas segundas doses para as pessoas que já foram vacinadas. Não há nenhuma previsão para chegada de novas vacinas na cidade.

Ocupação dos leitos de UTI em Blumenau

O hospital Santa Catarina registrou na manhã desta quarta-feira, 17, 100% de ocupação dos leitos de UTI Covid. A informação foi anunciada pelo prefeito Mário Hildebrandt (Podemos) e confirmada pela assessoria de imprensa do hospital.

Também em Blumenau, o Hospital Santa Isabel tem ocupação de 100% dos leitos, enquanto o Santo Antônio possui 93%. Cabe ressaltar que os leitos de UTI relatados pela Cisamvi são relativos aos administrados pelo Governo do Estado, que totalizam 35 leitos. Segundo a contagem da Prefeitura divulgada no boletim desta quarta-feira, 16, a ocupação da UTI Covid na cidade é de 44%. São 41 leitos ocupados, de um total de 94.

Situação das demais regiões do estado

A situação dos leitos de UTI também é preocupante em outras regiões de Santa Catarina. Na média estadual, a ocupação total é de 85%, segundo o Painel de Monitoramento dos Leitos SUS.

As situações mais críticas estão no Oeste e na Serra, com 98% e 90% de ocupação, respectivamente. Planalto Norte, Vale do Itajaí e Grande Florianópolis estão com uso de UTIs entre 80% e 90%.

Reprodução / Painel de Monitoramento Leitos SUS

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