O relojoeiro, “homem que conserta o tempo”, é uma das profissões mais antigas e que mais resistem ao mundo moderno da indústria e tecnologia. Tanto que, dos trabalhadores que o jornal O Município Blumenau destacou na série “Dedicação que resiste”, essa provavelmente é a que mais possui profissionais atuando. Em Blumenau, com certeza.

Isso é motivo de orgulho para Vicente Jairo Martins, de 50 anos. Para ele, não existe essa história de que a profissão está em extinção: ela tem menos profissionais, mas não irá morrer.

“O relógio pode não ser mais tão utilizado para ver as horas, mas ele é um acessório, e as pessoas usam muito. Hoje eles estragam menos, têm mais tecnologia, mas ainda estragam. E principalmente há as recordações. Os relógios de bolso, ou de parede, que possuem valor sentimental vão sempre precisar de manutenção. Por isso que eu digo que nossa profissão não vai ser extinta”, destaca Martins.

Apesar de ainda ter apenas 50 anos, Martins começou bem cedo, por isso já conta com muita experiência. Consertar relógios foi a primeira e única função que ele teve em toda vida.

O primeiro emprego é também o único que Martins teve na vida. Foto: Jotaan Silva / O Município Blumenau

Em 1983, aos 13 anos, começou como aprendiz em uma relojoaria no bairro Água Verde. Lá, ele conta que iniciou consertando os despertadores, ajudando em coisas mais simples. Depois, foi evoluindo até ser de fato um relojoeiro.

“Sou apaixonado pela profissão. Sempre admirei e sempre gostei de fazer o que faço. Me dediquei a ela e continuo por isso, por amor mesmo. Cada relógio que a gente abre traz uma história. Desde o uso, desde o defeito. E é muito gratificante pegar um relógio antigo e ver as histórias emocionantes que possuem”, conta.

Além da loja no bairro, ele atuou em outras empresas na cidade. A última delas foi a Relojoaria Baier – que se transformou na atual Authentika Jóias e Optica -, que ficava na rua XV de Novembro.

Porém, em 2008 a empresa fechou, e foi nesse momento que Martins resolveu abrir o próprio negócio. Nascia então a “Clínica do relógio”, também localizada na rua XV de Novembro, 930.

Martins se estabeleceu sozinho, mas ao passar dos anos, quando viu o número de clientes e trabalho crescer, arrumou um ajudante, que assim como ele começou jovem e como aprendiz. O detalhe especial é que esse menino é seu filho, Gabriel Martins, atualmente com 23 anos, mas já um relojoeiro “calejado”.

Pai e filho trabalham juntos há 10 anos. Foto: O Município Blumenau

Dessa forma eles permanecem até hoje, pai e filho trabalhando juntos e mantendo a profissão de relojoeiro por, pelo menos, mais uma geração.

“Eu acredito sim que é uma herança de família, algo que vou deixar pra ele, a paixão pela profissão. Fico muito realizado em ver ele aqui comigo”, afirma Martins, sobre o filho.

“No começo eu até pensei que podia fazer outra coisa, mas com o tempo fui gostando, pegando paixão mesmo. É muito gratificante aprender com o pai, e hoje não quero outra coisa”, completou Gabriel.

Deixe uma resposta