Dia do Voluntário: conheça três blumenauenses que se doam pela comunidade

Cidade conta com dezenas de instituições que dependem de voluntariado para contribuírem para sociedade

Dia do Voluntário: conheça três blumenauenses que se doam pela comunidade

Cidade conta com dezenas de instituições que dependem de voluntariado para contribuírem para sociedade

Alice Kienen

Desde 1985, o dia 28 de agosto é a data em que se comemora o Dia do Voluntário. O termo surgiu a partir da palavra latina voluntariu, que significa “aquele que age por vontade própria”. Ou seja, abrange todos que decidem se dedicar a algo em benefício de outras pessoas, sem obrigação e sem receber algo em troca.

Em Blumenau, há diversas entidades e grupos que organizam trabalhos voluntários na cidade e contribuem com a comunidade. São centenas de pessoas que investem o seu tempo livre e recursos para atuar para a melhora da sociedade.

O Município Blumenau conversou com três blumenauenses que encontraram no voluntariado uma nova forma de viver e doam-se por paixão. Conheça abaixo a história destes voluntários e das instituições das quais eles fazem parte.

Levando sorrisos para quem precisa

Quem ouve que Vanessa Venceslao é sócia em uma empresa e especialista em recursos humanos nem imagina que à noite ela se transforma na Doutora Vassourinha.

“A gente costuma dizer que durante o dia estamos em nossas identidades secretas, cada um na sua profissão. Mas à noite colocamos nosso nariz vermelho e vamos aos hospitais”, conta.

Vanessa faz parte dos Trapamédicos, palhaços de hospital que há 13 anos levam alegria e sensibilidade para os pacientes blumenauenses. São 52 voluntários que abrem um espaço na agenda para colocar um sorriso no rosto de quem está em um leito hospitalar.

Adriana (Dra. Biscoito), fundadora do projeto, ao lado de Vanessa (Dra. Vassourinha). Foto: Arquivo pessoal

Formada em psicologia, Vanessa acabou entrando no grupo quase que sem querer. Por conta da formação, estranhava a ideia de voluntários fazerem “palhaçadas” ao redor de pessoas doentes. Ela se voluntariou para conhecer melhor a experiência, e logo se encontrou.

A primeira paciente que ela visitou estava entubada, nem conseguia falar. Mas ao ser avisada pelo filho de que os Trapamédicos estavam no quarto dela, ela abriu um sorriso. Vanessa conta que apenas desejaram melhoras a ela e deram um abraço. Dias depois eles descobriram que esse foi o último momento de alegria dela.

“Eu me apaixonei e nunca mais saí. Se eu conseguir causar um sorriso mesmo que por apenas um segundo, estou cumprindo minha missão. A Dra. Vassourinha é minha grande paixão”, relata.

Quase oito anos depois, Vanessa é vice-presidente do que hoje se tornou uma empresa sem fins lucrativos. Com escalas organizadas, processo seletivo e um sistema integrado que produz relatórios das visitas.

Além de levar amor e compreensão para os doentes, os Trapamédicos também buscam tranquilizar e descontrair o ambiente para os acompanhantes e para os profissionais de saúde, que passam o dia no ambiente hospitalar.

“Pra mim o voluntariado já não é mais uma atividade, faz parte do meu dia a dia. Faço parte de outros grupos e torno isso prioridade na minha vida. Por isso, não fica pesado. Se tenho uma visita a um hospital e um cliente no mesmo horário, primeiro vou tentar negociar com o cliente”, explica Vanessa.

Além da palhaçaria, o grupo também desenvolveu o Trapapet, que desde 2013 realiza Intervenções Assistidas por Cães na psiquiatria do Hospital Santa Catarina e no asilo São Simeão.

Voluntários do Trapapet. Foto: Arquivo pessoal

Sendo ouvido para quem perdeu as esperanças

Zita Darugna integra um serviço que reúne mais de três mil voluntários em todo o Brasil: o Centro de Valorização à Vida (CVV). Criado em São Paulo em 1962, foi trazido para Blumenau por um médico que conheceu o Centro em um congresso e enxergou a necessidade de implantá-lo na cidade.

Na época, Blumenau já apresentava altos índices de mortes por suicídio e tentativas, porém levou dois anos para ser implantado na cidade por conta da enchente de 1984. De acordo com Zita, tudo estava pronto quando as águas vieram e levaram os equipamentos e desencorajaram os voluntários. Eles começaram do zero e inauguraram o posto em outubro de 1985.

Ela relata que, no início, não estava convencida da eficácia das conversas na prevenção do suicídio. Hoje, descreve que na época foi muito racional e cética, e acabou ficando no CVV por teimosia. Hoje, ela defende que este é o jeito mais eficaz de ajudar alguém num momento de vulnerabilidade emocional.

“Falar é a melhor prevenção, pois só podemos prevenir algo quando conhecer o assunto. Suicídio é tabu, não se fala, se joga para embaixo do tapete… Como as pessoas vão poder ajudar os outros se não têm conhecimento?”, questiona.

Leia também: Especialistas discutem os motivos da alta no número de suicídios em Blumenau

Para Zita, a transformação que ela vê em quem procura o CVV e na sociedade é o fator mais recompensador do trabalho. Para isso, é necessário que o Centro em si se transforme constantemente, se adaptando às mudanças do mundo para melhor atender a demanda.

“Nós voluntários também precisamos sempre buscar autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e estarmos atualizados sobre o que está acontecendo no mundo para promover essas transformações”, explica.

Fora do CVV, Zita trabalha na área administrativa e também têm afazeres na vida familiar e profissional, mas afirma que atuar como voluntária contribui em todos os aspectos da vida pessoal dela. Especialmente na convivência com outras pessoas.

“Muitos achamos que não temos tempo ou não podemos ajudar, mas na verdade quando paramos pra nos organizar acabamos encontrando tempo. É mais uma questão de disponibilidade interior. É tão recompensador que nos estimula em outras atividades da vida”, comenta.

Além do telefone 188, também é possível conversar com um voluntário pelo chat no site do CVV ou enviar um e-mail de desabafo. Em Blumenau, a população também pode buscar a unidade da rua Prof. Luís Schwartz, no bairro Velha, das 7h às 19h.

Zita reforça que o atendimento do CVV não substitui um tratamento médico ou psicológico. Entretanto, pode ser um apoio para quem ainda não encontrou atendimento ou quer complementá-lo fora do horário de consulta.

“Quando a dor é física sabemos quem procurar, mas quando é emocional não temos a quem recorrer ou a quem pedir ajuda, então o CVV está disponível 24 horas por dia. É como um pronto socorro emocional”, destaca Zita.

Todo primeiro domingo do mês, o CVV também promove rodas de conversa para um grupo de apoio aos sobreviventes do suicídio, que reúne sobreviventes e familiares e amigos de quem perdeu alguém para a fatalidade. Além disso, eles levam palestras e atendimentos para empresas e escolas, para discutir o assunto. “Aonde nos chamarem, tentamos sempre contribuir”, diz a voluntária.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, nove entre dez mortes por suicídio poderiam ser evitadas ou prevenidas. Para Zita, falar sobre o assunto é a chave para reduzir este número.

“Quando a gente dá atenção e demonstra interesse a pessoa percebe que ainda é importante pra alguém. Podemos salvar a vida dela em apenas alguns minutos, fazendo com que ela repense pelo menos naquele momento a questão de viver”, comenta.

Como ser um voluntário do Centro de Valorização à Vida:

Durante o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, o CVV de Blumenau irá realizar um treinamento no domingo do dia 29, entre as 8h e 19h. Após o curso teórico, existe um período de experiência.

“A pessoa aprende a conduzir uma conversa acolhedora, compreensiva, sem críticas e com sigilo e anonimato garantido. Não vivemos de aconselhamento, mas sim facilitamos o desabafo e oferecemos uma oportunidade de reorganizar as emoções e pensamentos”, explica Zita.

Não é necessário ter formação para integrar a equipe, apenas boa vontade e paciência para ouvir quem procura o Centro. Para participar, é só se inscrever no site ou pelo e-mail blumenau@cvv.org.br.

“Qualquer pessoa pode fazer diferença na vida da outra. Às vezes com um simples abraço, ou perguntando se tem algo que pode fazer para ajudar. A disponibilidade e o interesse pela outra pessoa pode ser transformador”, recomenda Zita.

Incluindo pessoas com Down na sociedade

Pela dificuldade em promover uma verdadeira inclusão social de pessoas com Síndrome de Down, pais e familiares de pessoas com a deficiência se organizaram e criaram o Sorrir para Down.

A associação facilita o contato com atendimentos como fonoaudiologia, conecta as famílias ao Ambulatório da Furb, promove palestras, organiza bazares, distribui cestas básicas para famílias socialmente vulneráveis e encaminha jovens ao mercado de trabalho.

Para promover todos estes serviços, a Sorrir para Down conta com voluntários. A maioria deles são pais de pessoas com a deficiência, como Dulci Vania Sieves, mãe da Kamilla, de 26 anos.

Kamilla no espaço da Sorrir para Down. Foto: Arquivo pessoal

Desde 2011, quando se aposentou como técnica de enfermagem, Dulci se dedica à Sorrir para Down, dando assistência às famílias e contribuindo nas oficias que reúnem as mães com trabalhos manuais.

“A gente te que trabalhar para eles socializarem, interagirem, se empoderarem e melhorarem a qualidade de vida. É um trabalho de formiguinha na associação para ir crescendo”, relata Dulci.

Uma das iniciativas da Sorrir para Down que teve repercussão nacional é a Cafeteria Especial, atendida exclusivamente por pessoas com a Síndrome de Down. O estabelecimento, que fica na Ponta Aguda é a primeira cafeteria inclusiva do sul do país.

Sorrir para Down/Arquivo pessoal

De acordo com Josiany Kröplin, coordenadora da Sorrir para Down, dentre os cerca de 15 voluntários, 12 deles são pais. Eles se dividem para atender as cerca de 150 pessoas com Síndrome de Down da região cadastradas na associação. São 42 atendimentos semanais para crianças, adolescentes e adultos.

Dulci vai até a Sorrir para Down, no bairro Água Verde, todas as segundas-feiras para levar Kamilla para a consulta com a fonoaudióloga. Quando visita a instituição, ela já fica por ali e auxilia como pode, assim como as outras mães. Caso a associação precise, elas se disponibilizam para comparecerem em outros horários.

“Aqui é a casa dele, é onde eles são felizes. E nosso objetivo é que nossos filhos sejam felizes e independentes”, relata.

Sorrir para Down/Arquivo pessoal

Onde se voluntariar em Blumenau

Cada pessoa tem seus interesses, habilidades e talentos. E para cada disposição, há uma forma diferente de ajudar. O site Blumenau Social reúne dezenas de instituições sem fins lucrativos que precisam de colaboração voluntária.

A partir da lista você pode não apenas conhecer projetos para se tornar voluntário, mas também conhecer as organizações e contribuir de outras formas. Seja financeiramente ou a partir de serviços prestados gratuitamente.

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