Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb. Escreve às terças-feiras.

“Diferencial da bancada evangélica é votar coesa em todas as questões ligadas à moral”

Colunista usa Encontro dos Gideões, em Camboriú, para analisar ascensão do segmento religioso no cenário político nacional

Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb. Escreve às terças-feiras.

“Diferencial da bancada evangélica é votar coesa em todas as questões ligadas à moral”

Colunista usa Encontro dos Gideões, em Camboriú, para analisar ascensão do segmento religioso no cenário político nacional

Josué de Souza

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) esteve em Santa Catarina na última semana. Veio ao nosso estado participar do Encontro Anual dos Gideões Missionários da Última Hora, na cidade de Camboriú. O congresso, organizado pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus, reúne todos os anos cerca de 150 mil pessoas.

O evento é o segundo destino de turismo religioso do estado de Santa Catarina. Fica atrás apenas do Santuário de Santa Paulina, em Nova Trento.

Acompanharam o presidente em Santa Catarina, além de ministros de Estado, deputados da chamada Frente Parlamentar Evangélica, formada por parlamentares de diferentes partidos. A bancada evangélica atua de forma organizada no Congresso e conta nesta legislatura com cerca de 75 deputados.

A relação religião e política no Brasil remonta ao tempo de colônia. Sempre é bom relembrar que o primeiro ato do colonizador em nossas terras foi uma missa. Desde então a Igreja Católica mantinha uma certa hegemonia na relação entre estado e segmento religioso.

Porém, sob o governo Bolsonaro, parece que os pentecostais passaram a influenciar de forma decisiva. Além da presença no primeiro escalão da pastora evangélica Damares Alves, a já declarada intenção do presidente de mudar a embaixada Brasileira do Brasil em Israel para Jerusalém é elemento revelador dessa influência.

Apesar de existir registro de representantes políticos pentecostais desde a década de 1950, é no cenário da Constituição de 1988 que eles se inserem definitivamente na esfera política.

A conduta parlamentar dos evangélicos repercutiu na mídia em geral, algo que também estava nos planos. O diferencial deste grupo foi justamente o de deixar de lado supostos princípios ideológico-partidários e votar coeso em todas as questões ligadas a moral, família, drogas, aborto, pornografia e demais temas correlacionados.

Da Constituição até hoje, o grupo ganhou força e poder, da mesma forma que viu crescer o número de fiéis em seu segmento. Os evangélicos hoje são cerca de 22,2% da população brasileira, sendo que em Santa Catarina, chegam a 20% da população. Destes, a metade é de integrantes da Igreja Evangélica Assembleia de Deus.

Bolsonaro não é evangélico, declara-se católico. Soube apenas operar os símbolos pentecostais de forma eficiente. Assim, a ascensão de Bolsonaro ao poder não poder ser creditada apenas aos votos dos pentecostais, assim como seu governo. Porém, o grupo é um dos principais fiadores do capitão, sobretudo, entre as classes mais populares.

O sucesso ou não no governo do mito será crucial não somente para a credibilidade de Bolsonaro, como também dos políticos e lideranças religiosas.

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