“É difícil falar em prevenção, o termo correto é diagnóstico precoce”.

As palavras do urologista Rodrigo Monnerat servem de alerta: diferente de muitas doenças, não há como ficar atento aos sintomas do câncer de próstata. Simplesmente porque eles geralmente só aparecem quando não há mais como tratar.

Dificuldade para urinar e necessidade de urinar mais vezes durante o dia e à noite podem ser indicativos de problemas no órgão, como uma infecção, um crescimento benigno ou, em casos mais raros, câncer. Normalmente ele se manifesta na fase final, causando dor óssea, sintomas urinários, além de infecção generalizada e insuficiência renal.

Nestes últimos casos, quando os sinais significam um tumor maligno, há 75% de chances da doença já estar avançada, sem chances de cura. Por isso, não existe outro remédio: o caminho são as visitas anuais ao urologista. Não há necessidade de buscar por um especialista na juventude.

São raros os casos de pacientes que são diagnosticados com o câncer antes dos 40 anos. O ideal é procurar um médico a partir dos 45 anos, para o “grupo de risco”, e os demais aos 50.

No grupo de risco estão homens que tem histórico de câncer de próstata na família e afrodescendentes, que possuem maior propensão a desenvolver o tumor.

Diagnóstico

O morador do bairro Velha, Marcos Antonio Sens, foi até o urologista pela primeira vez aos 45 anos. Marcos pedalava cerca de 200 quilômetros por dia e quis fazer uma bateria de exames para confirmar se o corpo aguentaria o ritmo forte da vida de ciclista.

Fez o exame de sangue para medir o antígeno prostático específico (PSA) e o de toque. Eliminou qualquer possibilidade de doença. Como não pertence ao grupo de risco, o médico o orientou a voltar cinco anos mais tarde. Atualmente com 51 anos, o empreendedor não só faz os exames regularmente como fala sobre o assunto sem problema algum:

“O exame é super simples e rápido. A espera é que é mais sofredora”, brinca.

Monnerat explica que o exame de toque é importante porque o de sangue, em 20% dos casos, não detecta a doença. Além disso, o médico Felipe Barbeta complementa que muitas vezes PCA elevado não é, necessariamente, um sinal de câncer.

“Tem que analisar o histórico e fazer o toque. Tem exames que não têm alteração e, quando fazemos o toque, encontramos o nódulo”, conta.

Se detectado na fase inicial, o câncer tem 90% de cura. Porém, se não haver um diagnóstico precoce, as chances são poucas:

“Casos mais avançados, que tem o diagnóstico muito tardio, não tem o que fazer, só cuidados paliativos. Normalmente a doença evolui para a metástase (câncer em diversos órgãos). Um dos primeiros locais atingidos são os ossos”, lamenta Barbeta.

Não há uma fórmula para evitar o câncer, mas pesquisas apontam que hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, não fumar, não consumir bebida alcoólica em excesso e exercício físico podem ser um obstáculo para a doença.