Dois blocos de rua de Blumenau prometem desfilar neste Carnaval

Autorização ainda está tramitando na prefeitura

Dois blocos de rua de Blumenau prometem desfilar neste Carnaval

Autorização ainda está tramitando na prefeitura

Bianca Bertoli

Dois grupos saem à rua neste fim de semana para tentar manter e resgatar a tradição do Carnaval na cidade. A brincadeira trazida pelos imigrantes europeus perdeu força nos últimos anos, mas não morreu – e nem vai morrer, a depender de quem está preparando fantasia para desfilar.

Tal como ocorreu no ano passado, um grupo promete alegrar o Centro e mostrar que ainda há fôlego para os que gostam da diversão – inclusive em um formato mais moderno. No sábado, 10, o bloco Pajubá vai se concentrar no Brazuka’s Hostel, na rua Sorocaba (transversal da São Paulo), a partir das 14h. O estabelecimento vai permitir acesso àqueles que quiserem vestir uma fantasia ou fazer maquiagem. Depois, o grupo segue a pé para a Praça Victor Konder, em frente à prefeitura.

Lá, a partir das 15h, DJs tocarão diversos estilos musicais até 21h, como marchinhas, pagode, funk, samba. A ideia da organização é fazer um evento aberto a todos, livre de preconceitos e seguro para crianças, mulheres, gays, negros e transsexuais.

No candomblé e na comunidade LGBT, pajubá tem o significado de novidade, fofoca ou notícia. A palavra designa um dialeto que mistura palavras de origem africana à língua portuguesa. Praticamente os mesmos líderes do Pajubá saíram pelo Centro durante o Carnaval do ano passado sob o nome Bloco Corpo Livre.

“Não queremos que essa cultura popular tão genuína e brasileira deixe de acontecer, tem gente em Blumenau que gosta de carnaval, estamos pensando nessas pessoas”, explica um dos organizadores do bloco Pajubá, o militante dos movimentos negro e LGBT Lenilso Silva.

A última vez que o Centro de Blumenau havia recebido um bloco com bateria e samba foi em 2016. Os amigos músicos, que criaram o Pé na Jaca em 2014, fizeram a última festa dois anos depois da criação do grupo. Problemas para encontrar locais de ensaios e mudança de cidade de alguns integrantes enfraqueceram as reuniões.

“Nós criamos pela necessidade de ter marchinhas como antigamente. Estava faltando animação, brincadeira, essa coisa cultural. Blumenau também é Brasil. Aqui também tem espaço para todo o tipo de música”, acredita um dos participante do bloco praticamente extinto, Gilmar José Oliveira.

Salto do Norte

Outra opção será oferecida pelo Grêmio Recreativo Mocidade do Salto do Norte, no domingo. O bloco mais tradicional da cidade deve circular pela rua Johann Sachse entre 15h e meia-noite de domingo, 11. O grupo, com nome que remete a uma escola de samba, alegra o bairro com pessoas fantasiadas, alegorias e instrumentos musicais.

Porém, por enquanto, os únicos dois grupos que estão se organizando para o Carnaval de Blumenau ainda não têm autorização da prefeitura para a realização das festas. Ambos solicitaram aval ao município, mas aguardam a liberação até o fim de semana.

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