Emissão de primeiras carteiras de motorista caem em Blumenau e autoescolas sentem impacto

Número de CNHs emitidas ano após ano vem decrescendo desde 2012; duas empresas já fecharam

Emissão de primeiras carteiras de motorista caem em Blumenau e autoescolas sentem impacto

Número de CNHs emitidas ano após ano vem decrescendo desde 2012; duas empresas já fecharam

Cristóvão Vieira

Desde 2012 já foram emitidas em Blumenau exatamente 47.871 novas carteiras nacionais de habilitação (CNHs). O volume de novas CNHs, contudo, vem decrescendo nos últimos seis anos. Se em 2012 foram tiradas 7.328 primeiras habilitações, em 2018 foram 5.920.

A redução, de cerca de 19%, aponta um movimento decrescente na emissão do documento. Embora haja subidas e quedas com o passar dos anos, os números já não chegam sequer perto dos 7 mil anuais que foram atingidos entre 2012 e 2014.

A baixa procura pela primeira habilitação já tem reflexos nas autoescolas. Nos últimos dois anos, duas empresas do ramo fecharam na região central de Blumenau. As autoescolas ainda em atuação precisaram se adaptar a nova realidade, enxugando a estrutura e reduzindo o quadro de funcionários.

Entre as autoescolas blumenauenses entrevistadas, há um motivo em comum para esta queda da emissão de primeiras habilitações: a crise econômica nacional, que passou a dar sinais em 2015. O desemprego e a redução da renda dificultou o acesso às aulas de direção – que custam em Blumenau, em média, R$ 2 mil.

Em Blumenau houve também, no último ano, o fechamento de autoescolas por irregularidades verificadas pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Crise, aplicativos e novo conceito familiar

Na Autoescola União, o investimento em tecnologia tem sido a aposta para superar a queda na procura pela primeira habilitação. Apostando em equipamentos e frota moderna, a empresa batalha para seguir formando condutores em Blumenau.

Para o diretor de ensino da autoescola, Leandro Panini Aguiar, três fatores foram fundamentais para esta queda na procura da primeira carteira de motoristas. “Tivemos a crise econômica, na qual o jovem deixou de ter a perspectiva de ter um carro, e com isso não sentiu a necessidade de fazer o documento. Temos também agora os aplicativos de transporte, que facilitaram a vida das pessoas, com preços mais baixos. Por último há uma mudança nas famílias. Antigamente os casais tinham dois, três, quatro filhos, agora têm apenas um, então a própria demanda de jovens está mais baixa”.

Embora os fechamentos de empresas de autoescola no município tenham sido por irregularidades, Aguiar afirma que também está diretamente ligado com a crise econômica. “Algumas autoescolas acabaram trabalhando de maneira irregular, por estar com poucos recursos, pouco pessoal, desrespeitando regras do Detran. Isso acabou culminando no fechamento”.

Mercado desaquecido

A diretora de ensino na Autoescola Blu, Endy da Silva, afirma que a crise econômica afetou diretamente as empresas do ramo. “O mercado não está tão aquecido como antigamente. Automaticamente sofremos queda na procura de serviços em geral, mas principalmente na primeira habilitação”.

Endy explica que, mesmo sendo um tipo de prestação de serviço fundamental para a formação de novos condutores, os jovens têm resistido mais à procura da habilitação. “Os jovens que completam 18 anos têm optado por lugares mais baratos, e sofremos com o impacto dos valores mais baixos da concorrência. Além disso eles têm esperado mais também, tirando a carteira mais tarde”.

Já quanto aos aplicativos de transporte, Endy explica que este movimento não afetou a autoescola. Pelo contrário, contribuiu para uma receita diferente à empresa. “Nós recebemos bastante procura de motoristas de aplicativo, buscando aprimorar a prática da direção”.

Confira como foi a emissão de CNHs ano a ano em Blumenau

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