Relembre a história da Fábrica de Chocolates Saturno, que marcou a infância com doces criados em Blumenau
Empresa foi pioneira no ramo alimentício na cidade e funcionou de 1923 até 1995
Fundada em 1923, a Fábrica de Chocolates Saturno foi a pioneira na área de alimentos em Blumenau. Localizada na rua Paulo Zimmermann, no Centro da cidade, a Saturno produzia a maior gama de produtos elaborados do país, somando mais de 300 itens diversificados.

Em 1929 a fábrica conquistou uma premiação nacional pela alta qualidade dos produtos e o crescimento da empresa promoveu o desenvolvimento de toda a região.
Produtos
Dentre a grande variedade de produtos feitos pela fábrica estavam as figuras e tabletes de chocolate, bombons e waffers recheados, doces de frutas, pão de mel, as famosas balas Saturno, pralinés de amêndoas, torrões, e até manteiga de cacau para comercialização em farmácias.
A Saturno também era reconhecida por ser a única fábrica no Brasil que produzia o Pumpernickel, um pão de centeio típico da Alemanha.

Inauguração
Em 1925 foi dirigido um convite à imprensa para conhecerem as instalações da fábrica. A inauguração teve a presença de Victor Konder, secretário da Fazenda do Estado de Santa Catarina. Na época, os jornais “Blumenauer Zeitung” e “A Cidade” publicaram sobre a visita do secretário à fábrica que até aquele momento chamava-se “Fábrica de Chocolates Solar”.
No jornal, mencionava que apesar de as seções não estarem ainda bem desenvolvidas, os produtos que possuem são os melhores. A fábrica já funcionava perfeitamente e produzindo chocolates de qualidade.

Matéria-prima de doces em Blumenau
Por volta de 1937, a população comentava que os chocolates da Saturno não ficavam atrás das fábricas do Rio de Janeiro ou São Paulo, por exemplo. A fábrica blumenauense conquistava o público e o mercado tanto na quantidade, quanto na qualidade dos produtos.
Dentro do complexo Saturno, havia uma dependência para abrigar os sacos de cacau que vinham de Ilhéus, na Bahia, a matéria-prima dos chocolates.

Para realizar a produção do chocolate, as sementes de cacau eram torradas e passavam por várias máquinas e processos até que finalmente chegassem ao ponto do chocolate. Posteriormente, a massa cremosa era colocada em uma forma, levada para uma sala frigorifica, era embalada e, por fim, distribuída para vários pontos da cidade e do estado.

A fábrica em Blumenau
Em 1971, com o aumento do capital, a Saturno mudou sua sede de atividades e passou a situar-se na rua Marechal Rondon, no bairro Salto do Norte, onde anteriormente funcionava a antiga fábrica de porcelana Condessa e atualmente abriga a empresa de sustentabilidade chamada “Saturno Ambiental”, em homenagem.
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A empresa teve edificações de até três pavimentos e o terreno era de 10 mil metros quadrados com área construída de 7.750 metros quadrados.
A edificação possuía linha de geração própria de energia por caldeirões. Também contava com estação de água e frota de veículos particulares, somando cerca de 25 veículos para as atividades e dois pátios destinados para estacionamento e manobras de carga e descarga.

Seções
As áreas de produção eram divididas por seções de massas, embrulhos, confeitaria e waffers, confeitos e missangas, balas de glicose e banana, produtos de padaria, e doces de frutas.

Também havia na estrutura uma seção de fabricação própria de formas para os chocolates e de caixas de papelão, um laboratório com equipamentos especializados, um almoxarifado, um depósito onde ficavam os produtos finais, uma oficina mecânica, refeitórios, e uma lavanderia que possuía até máquinas de costura.
No local existia uma ala administrativa, com um escritório central e um centro de processamento de dados. Contava também com uma seção para vendas diretas ao público.
Ainda no ano de 1971, a fábrica recebeu a visita do vice-presidente Almirante Rademaker, o qual se impressionou com as instalações.
Fazenda Saturno
A Fazenda Saturno era uma das propriedades da empresa. Localizada em Gaspar e com área de 500 metros quadrados, a fazenda era composta por 60% da área útil usada para plantação de 60 mil eucaliptos, 15% para plantação de arroz e pequena plantação de bananeiras, e 20% de reserva nativa.
Para abastecer suas caldeiras, a empresa retirava o combustível vegetal das duas fazendas particulares de propriedade do controlador. Além da fazenda Saturno, os proprietários também possuíam outros lotes de terreno em Blumenau, Navegantes e Piçarras.

História
Inicialmente, quando a Saturno ainda era chamada de “Fábrica de Chocolate Solar”, ela pertencia a Henry Rottmann. Em 1928, a fábrica passou a ser de Max Hering, mas por volta de 1931 virou propriedade dos irmãos Alfred e Erich Eimer, que já exploravam o ramo alimentício com a fábrica Eimer Irmãos.
Ao final de 1940, foi vendida às famílias Lebrecht e Loeffer, até então residentes da Europa. Devido à Segunda Guerra Mundial, foi alugada para Walter Kaeser, Max Zullig e Egon Waldemar Levinstein.
Em 1941 a Saturno foi adquirida por Kaeser e Zullig, que a transformaram em um nome coletivo de razão social “Kaeser & Zullig”. Naquela época, trabalhavam 12 pessoas produzindo chocolate para o comércio em geral, além de docinhos e tortas para o Café Popular, que era muito frequentado. Em 1942, Zulling deixa a sociedade e Levinstein ingressa. Com a colaboração de Alvin Friedel, inicia-se a fabricação de balas.

Em 1945 a família Lebrecht, que possuía 55% dos terrenos, edifícios e maquinário das fábricas retorna dos Estados Unidos. Então, em 1946, por conta do senhor Lebrecht, a empresa foi transformada em sociedade por quotas de responsabilidade e passou a chamar “M.E Kaeser & Cia”.
Em 1958, passou a ser uma Sociedade Anônima, tendo como diretores os senhores Kaeser, Lebrecht e Levinstein. Em 1971 aconteceu a mudança da fábrica para a rua Marechal Rondon, e também a saída do senhor Lebrecht. A partir de 1974 a fábrica foi administrada por Niels Deeke, que já tinha uma participação na empresa, e Júlio Kaeser.

Em 1985 ela era assim constituída: diretor-presidente Niels Deeke; diretora vice-presidente Joana J. Deeke; diretor administrativo José A. de Lima; e diretor comercial Haroldo Jensen. Em 1992 a fábrica foi vendida para a J. C. Malhas de Jair Cordeiro.
Falência e incêndio em Blumenau
Em 1995, a fábrica faliu e fechou. Dois anos depois, foi atingida por um grande incêndio que destruiu várias dependências, inclusive o galpão, que era onde funcionava a linha de produção das mercadorias.
*Reportagem publicada originalmente em 8 de fevereiro de 2022.
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