Garcia se despede de Mirelo, o vendedor de picolé mais querido de Blumenau

Velório de Wilson Seiler, o Mirelo, ocorreu na Capela Mortuária Emílio Tallmann, perto da casa onde vivia, no bairro Garcia

Garcia se despede de Mirelo, o vendedor de picolé mais querido de Blumenau

Velório de Wilson Seiler, o Mirelo, ocorreu na Capela Mortuária Emílio Tallmann, perto da casa onde vivia, no bairro Garcia

Bianca Bertoli

O Garcia está triste. Um dos moradores mais conhecidos e queridos da comunidade não circula mais pelas ruas com picolés a tiracolo, carregados dentro da caixa de isopor azul clara. O último adeus a Wilson Seiler, o Mirelo, foi às 15h30 deste domingo, 29, na Capela Mortuária Emílio Tallmann, momento em que o corpo foi levado para o enterro no cemitério São José.

O vendedor morreu na manhã de sábado, 28, após ser atropelado por uma motocicleta na rua Amazonas. O motociclista deixou o local sem prestar socorro, mas já se apresentou à Central de Polícia

Mirelo não era só um vendedor de picolés que andava por toda a região do Garcia incansavelmente nos dias mais quentes do ano. A opinião é unânime entre os moradores que estiveram no velório: ele era exemplo para muita gente.

“Tem muito doutor que não recebe essa quantidade de pessoas em velório, não”, comentou uma das moradoras que estava na capela.

Aos 60 anos, o homem magro que alteava alegremente a voz sempre que falava de Jesus, cuidava da mãe de 85 anos. Ela não conseguiu ir ao velório do filho. Ainda espera Mirelo chegar em casa com a marmita do almoço que estava indo buscar quando sofreu o acidente.

Mirelo era querido por gerações. Desde menino vendia picolés na rua sob os gritos já conhecidos de “Óia o picolé! Pi-co-lé!”. Aos pais que não tinham dinheiro para comprar o doce para os filhos, o vendedor oferecia de graça, ou fiado. E não aceitava recusa. Adorado pelas crianças, visitou inúmeras ao nascer. Viu tantas outras crescerem e casarem. Era parte da vida do Garcia.

Acompanhava as moradoras em caminhadas, vigiava os pequenos que voltavam da escola sozinhos. Mirelo era uma pessoa de confiança para incontáveis famílias do bairro. Torcedor fanático do Fluminense e muito religioso, dizia que iria para o céu.

Durante o velório, picolés foram distribuídos e consumidos entre lágrimas. O homem que tinha cinco irmãos ganhou outras centenas, todos desolados com a perda repentina. Após os aplausos finais, uma voz em meio à multidão resumiu:

“Mirelo era pobre de dinheiro, mas rico em amor”.

 

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