“A gente resolveu priorizar os ônibus”, diz presidente do Seterb sobre engarrafamentos em Blumenau

Secretários se reuniram com o prefeito Mário Hildebrandt para avaliar o trânsito desta terça-feira

“A gente resolveu priorizar os ônibus”, diz presidente do Seterb sobre engarrafamentos em Blumenau

Secretários se reuniram com o prefeito Mário Hildebrandt para avaliar o trânsito desta terça-feira

Bianca Bertoli

A cidade parou. O trânsito em Blumenau no fim de tarde e noite desta terça-feira, 12, travou a ponto de motivar uma reunião do prefeito Mário Hildebrandt com equipes da prefeitura nesta manhã para avaliar o que houve. Para o presidente do Seterb, Marcelo Althoff, uma série de motivos culminou na falta de mobilidade. Chuva, acidentes e jantar de Dia dos Namorados são os principais.

Em entrevista, Althoff falou dos impactos das diversas obras que estão sendo feitas na cidade à mobilidade urbana e da expectativa em usar a experiência desta terça-feira para uma eventual nova crise no trânsito blumenauense. Confira:

O Município Blumenau: Por que o trânsito travou ontem?
Marcelo Althoff, presidente do Seterb: Essa é uma pergunta difícil de responder dando uma resposta só. Tem uma série de fatores, não é uma causa só. O que a gente entende que deve ter contribuído, além daquela intensidade da chuva que começou às 17h30, que é preponderante. A chuva é um complicador em qualquer final de tarde e ontem com aquele fluxo de carros que tinha ficou ainda pior. Achamos também que a questão do trânsito para o Dia dos Namorados, evidentemente é o dia em que mais há movimento em restaurantes – as pessoas estavam se deslocando para esses lugares. Ainda naquele horário de pico tiveram seis acidentes com vítimas. E esses carros não podem ser retirados do local até que nosso plantão chegue. E assim, gargalos que vão se formando. Quando o trânsito não consegue ter fluidez e ele trava, depois de travar ele fica bem mais complicado. A gente até tentou vias alternativas.

O que foi feito?
Acompanhamos tudo pelo videomonitoramento do Seterb. Quando percebemos que alguns gargalos estavam acontecendo, disparamos os agentes. Tivemos 13 agentes nas ruas, mais quatro que estavam no plantão e também foram deslocados dentro do que foi possível. Então algumas coisas que pudemos, fizemos, que foi fechar algumas vias como a José Ferreira da Silva, que liga a Beira-Rio à XV de Novembro, porque ela estava travando a XV e a Sete de Setembro também. O prefeito ainda ontem à noite convocou uma reunião com as secretarias que têm importância para a área do trânsito para uma reunião hoje às 7h30.

E essa reunião resulta em que?
Na verdade o prefeito pediu que todo mundo avaliasse o que aconteceu ontem para que a gente possa se preparar para um momento de crise, quando isso voltar a acontecer. Tomar medidas baseado na experiência do que aconteceu ontem. Acho que é isso que o prefeito vai querer fazer na reunião de hoje.

E os corredores de ônibus?
Não liberamos os corredores de ônibus por uma decisão muito simples: vimos pelo videomonitoramento que os pontos estavam todos cheios, os ônibus estavam atrasados e aí sempre priorizamos, obviamente, o transporte público em detrimento do privado, ainda mais quando os pontos estão cheios. A nossa maior preocupação sempre, em momentos como esse em que o trânsito trava, é que os corredores também são utilizados pelos setores de segurança, especialmente ambulâncias. Então só fazemos a abertura quando tem plena certeza que não vai atrapalhar nem o transporte coletivo e nem, eventualmente, o deslocamento de uma ambulância. Ontem, para você ter uma ideia, a gente só tomou essa decisão de flexibilizar os corredores a partir das 20h15, porque até lá o trânsito, tanto na Sete de Setembro quanto na Beira-Rio, estava extremamente complicado.

O Seterb tem ideia dos atrasos nos ônibus?
Essa avaliação eu vou ter hoje. Obviamente que o ônibus só sai do terminal se ele tiver chegado no terminal na hora certa. É um efeito em cadeia.

Teve gente que ficou mais de duas horas parada no trânsito. Há alento possível no curto e médio prazos?
O alento é que nós temos obras acontecendo em todos os cantos da cidade. Essas obras por si, quando estiverem concluídas – e temos um cenário de médio prazo muito bom -, a gente vai ter condição de poder pelo menos ter mais vias. Blumenau se caracteriza por um grande volume de carros por habitante, isso é inquestionável. Estamos fazendo também investimento na questão dos corredores de ônibus para que o transporte coletivo possa ser atrativo de novo para uma parcela da população.

Pensando no trânsito, será que foi a melhor decisão iniciar tantas obras ao mesmo tempo em Blumenau? 
O problema é que estávamos entre matar e morrer. O recurso do BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento] tem prazo certo para ser aplicado. Se não começássemos todas as obras simultaneamente, não conseguiríamos cumprir os prazos, portanto poderíamos perder recurso. A gente sabe que foi uma decisão difícil, a gente tem hoje obra em toda a cidade, é ruim, a mobilidade fica comprometida, mas paulatinamente as coisas vão voltando ao normal.

A frota de carros não para de crescer. A tendência é piorar?
Sem dúvida. Hoje a gente tem acompanhado o crescimento da venda de carros novos, ela voltou a crescer. O trabalho que a gente tem feito hoje no transporte coletivo é exatamente em tornar atrativo de novo para que as pessoas entendam que com corredores de ônibus, ônibus modernos, respeito de horários, a gente possa trazer esse usuário de volta para o transporte coletivo.

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