O que já se sabe sobre o assassinato de mãe e filha em Blumenau

Inês do Amaral e Franciele Will foram mortas dentro de casa no bairro Tribess, nesta quarta-feira, 4

O que já se sabe sobre o assassinato de mãe e filha em Blumenau

Inês do Amaral e Franciele Will foram mortas dentro de casa no bairro Tribess, nesta quarta-feira, 4

Bianca Bertoli

O Instituto Geral de Perícias confirmou na manhã desta quinta-feira, 5, a causa das mortes de Inês do Amaral e Franciele Will, assassinadas dentro de casa, em Blumenau. Inês foi estrangulada com o uso de algum objeto ainda não identificado. Franciele teve diversos cortes profundos na região do pescoço, causados por algum material cortante.

Os peritos também asseguram que Inês foi morta primeiro. No entanto, não há como precisar o intervalo de tempo entre o assassinato da mãe e da filha. O Instituto Geral de Perícias justificou que condições externas, até mesmo do ambiente, podem interferir na identificação.

Mãe e filha foram encontradas mortas dentro de casa na rua Marquês Santo Amaro, bairro Tribess. A mãe, de 57 anos, e a filha, de 30, moravam no local com Odair Will, de 22 anos, filho e irmão das vítimas.

Confira abaixo o que já se sabe sobre o caso:

Segundo Onildo do Amaral, irmão de Inês, foi Odair quem encontrou os corpos quando chegou à residência junto com a namorada, por volta das 20h30. Em poucos instantes a via ficou tomada de amigos, vizinhos e policiais.

As vítimas

Inês trabalhava em casa como costureira. Franciele era mestre de obras na construtura Frechal e estudava à noite na Uniasselvi, onde fazia Engenharia Civil. No dia a dia, trabalhava até as 17h30, passava em casa rapidamente e seguia para a faculdade. O carro dela estava em frente à residência, destrancado.

“Ela deve ter chegado muito apavorada, jamais deixaria o carro aberto, ela zelava muito pelo que tinha”, acredita Adriane Rohrs, colega de trabalho de Franciele.

Investigação

De acordo com o delegado Bruno Effori, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, há indícios que Franciele tentou fugir do criminoso. O corpo de Inês estava num quarto, sob um cobertor. A filha estava caída na cozinha, com a bolsa próxima ao corpo, um sinal de que ela foi atacada tão logo chegou em casa.

“A forma de execução, em virtude de serem duas vitimas do sexo feminino, mãe e filha, a porta não estava arrombada, sugere que tenha sido alguém próximo à família que tinha algum desentendimento anterior ao fato”, disse Effori.

O veículo de Inês foi levado por quem cometeu o crime e foi localizado pela Polícia Militar por volta das 10h desta quinta-feira, dia 5, na rua Alexandre Volta, bairro Itoupava Norte. A PM isolou o local e acionou a Polícia Civil para realização de perícia, em busca de digitais e outros materiais que possam auxiliar na identificação do autor.

A Polícia Civil não trabalha com a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte):

“Estamos trabalhando com a hipótese de duplo homicídio, nenhum objeto está desalinhado, inclusive os pertences das vítimas estavam no local, como carteira, celular, dinheiro… A filha foi degolada na cozinha, ainda portando a sua bolsa”, declarou o delegado que investiga o caso, Bruno Effori.

Crime chocou conhecidos

Vizinha há anos das vítimas, Elisabeth Costa mora ao lado da casa da família e não lembra de ter ouvido qualquer barulho diferente. Os cachorros, que estavam presos dentro e atrás da residência, tampouco denunciaram a chegada de algum suspeito:

“Não ouvi nada, nada. A Inês era muito querida. Eu ia sempre de manhã ou à tarde levar frutas para ela, nós trocávamos coisas… Se eu tivesse ido, talvez tivesse chegado bem na hora”, lamentou Elisabeth.

Edna Maria Vieira, sobrinha e prima de Inês e Franciele, conta que as duas sempre visitavam parte da família que vive, como ela, em Joinville. Nesses encontros, Fran, como era conhecida pelos mais próximos, era animada e extrovertida.

“Não tem o que falar mal delas, a minha tia vivia na igreja. Vivia para a família”, declarou Edna.

Segundo ela, a prima estava solteira há algum tempo e focava muito nos estudos e trabalho, além da família e das causas que defendia, como a proteção aos animais. Reservadas, mas muito atenciosas, mãe e filha eram queridas por todos. Inês se separou do marido há muitos anos:

“Minha tia se dedicava à família e à igreja. A gente dizia que ela trabalhava até demais, que ela deveria aproveitar mais a vida, viajar mais”, lembra Edna.

Trabalho

Na Frechal, onde a garota trabalhava, não havia inimizades. Abalada, parte da equipe não dormiu nesta última noite. Nesta quinta-feira, 5, funcionários que estavam trabalhando junto com ela em uma obra do bairro Fortaleza não foram trabalhar.

Em nota publicada no Facebook, a construtora lamentou o crime:
“É com muito pesar que informamos o falecimento de Franciele Will, mestre de obras da Frechal, e que há 10 anos compartilhava seus dias conosco. A sua trágica morte e de sua mãe Inês do Amaral, nos pegou de surpresa e deixa a todos profundamente estarrecidos. Ambas foram vítimas de duplo feminicídio na noite de ontem, 4 de abril. Neste momento de dor e consternação, pedimos a Deus conforto a seus familiares e amigos, para que possam enfrentar esta imensurável dor na convicção de que não se pode cair mais fundo do que dentro do colo de Deus. Em meio à consternação, registramos nosso veemente repúdio a todo tipo de violência, em especial a que torna vítimas um crescente número de mulheres. Externamos, ainda, nosso pedido pelo esclarecimento do bárbaro duplo assassinato e que justiça seja feita. Agradecemos imensamente o tempo que pudemos conviver com Franciele, que será sempre lembrada pelo profissionalismo, inteligência, competência e sensibilidade. Deixamos os nossos mais sinceros pêsames aos familiares e amigos”.

Danubia de Souza
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