Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb.

“Falta a Bolsonaro compostura para ser presidente”

Colunista comenta sobre episódio de presidente com jornalista da Folha de São Paulo

Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb.

“Falta a Bolsonaro compostura para ser presidente”

Colunista comenta sobre episódio de presidente com jornalista da Folha de São Paulo

Josué de Souza

Bolsonaro passou do limite outra vez. A vítima agora é a jornalista da Folha de São Paulo, Patrícia Campos Mello. A repórter vem sendo atacada por bolsonaristas desde a semana passada quando, em um depoimento na CPI das Fake News no Congresso, um ex-funcionário de uma empresa de disparos de mensagens em massa por WhatsApp afirmou que ela teria se insinuado sexualmente em troca de informações.

Foi atacada de forma covarde, não somente na sessão da CPI, mas também no plenário da Câmara Federal e nas redes sociais. A novidade não é o presidente passar dos limites. A novidade é a cara de espanto da mídia. Sim, parece que o grotesco episódio com a jornalista fez despertar na imprensa a compreensão de que Bolsonaro não respeita o decoro e a liturgia do cargo. Falta-lhe recato!

Falta a Bolsonaro compostura para ser presidente. Representa o que de pior existe na sociedade brasileira, uma caricatura da parte infeliz da nossa história política. Toda sua carreira política foi assim. A agressão à jornalista, que é reconhecida pelo trabalho investigativo e desde o ano passado vem publicando uma série de matérias sobre o uso de Fake News nas últimas eleições, é não somente um ato de machismo, mas também um tentativa de intimidar a imprensa.

Bolsonaro glorifica o exército, exalta a ditadura, cerca-se de militares. Aliás, como militar era péssimo. Foi expulso do exército por indisciplina. Como deputado, nunca teve considerável expressão, aprovou apenas dois projetos. Foi um verdadeiro parasita nos 27 anos que passou na Câmara.

Ganhou fama por conta de suas posições controversas, para não usar um adjetivo pior. Por este motivo muitas vezes ganhava palco na imprensa que dava-lhe espaço em troca de audiência. Defendia a tortura, a milícia, a violência do Estado.

Atacava professores. Condenava os direitos humanos. Tudo com a permissividade da imprensa e das instituições. Estes mesmos que agora o acusam falta de recato. Sim, Bolsonaro é tudo de que deveríamos nos envergonhar. Mas não é ele que é assim. São as estruturas sociais da sociedade brasileira que são.

Ele escancara o autoritarismo, o racismo, o machismo, a misoginia e a homofobia presente em nossa sociedade. E muito mais. Seu destempero sem controle mostra também o cinismo de uma elite política e econômica, representada por uma mídia altamente concentrada que nunca defendeu de fato os valores modernos.

E não defende, nem defendeu porque é assim, foi formada e sobrevive dessa estrutura. Torcem o nariz pra Bolsonaro não porque ele é machista, mas porque ele deixa transparecer. “Estupra mas não mata”, já dizia o Maluf…

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