Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb.

Recusa de jogador em cumprimentar governador reacende debate da relação entre futebol e política

Colunista comenta como o futebol pode estar atrelado aos posicionamentos políticos

Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb.

Recusa de jogador em cumprimentar governador reacende debate da relação entre futebol e política

Colunista comenta como o futebol pode estar atrelado aos posicionamentos políticos

Josué de Souza

No final de semana, com o título do Clube de Regatas do Flamengo na Copa Libertadores de Futebol, uma imagem da comemoração chamou a atenção e viralizou na internet: o drible seco que o atacante Gabriel Barbosa aplicou no governador do Rio de Janeiro, Wison Witzel (PSC). O lance não só rendeu uma contenda em torno da narrativa do fato – como tudo em um pais em que tudo é binário – como reacendeu o debate em torno da relação entre futebol e política.

Gabriel Barbosa, conhecido como Gabigol, consagrou-se no último domingo com dois gols em cinco minutos em uma virada histórica do Flamengo contra o River Plate. Além destes dois gols, o atacante já tinha marcando 38 gols na temporada, superando craques consagrados da história do Flamengo.

Wison Witsel (PSC) é um ex-juiz do Rio de Janeiro que elegeu-se governador na onda Bolsonaro. Seu governo é marcado pela violência policial e cenas de pastelão promovidas pelo governador. Ainda na posse, o governador criou uma faixa presidencial que usa durante as cerimônias e reuniões com os secretários.

Protagonizou cenas em que brinca de Rambo sobrevoando comunidades pobres do estado. Em uma destas aventuras, acabou atirando contra uma tenda de oração evangélica. Tudo isso para cumprir política de “abate”, uma orientação de confronto entre as forças policiais e a criminalidade. Como resultado desta política genocida, até o dia 30 de outubro, cerca de 1.546 pessoas foram mortas pela polícia do Rio de Janeiro, uma média de cinco por dia.

Witzel não é o primeiro a tentar tirar uma casquinha do sucesso do futebol. A popularidade do esporte sempre foi utilizada por políticos na tentativa de alavancar simpatia. O ditador Emilio Médici, durante a copa de 1970, usou o sucesso da Seleção Brasileira para patrocinar uma campanha nacionalista e de apoio ao governo.

Nosso glorioso time naquela Copa foi montado por João Saldanha, militante de esquerda e crítico ao regime. Nas vésperas da Copa foi trocado por Zagallo. Tostão, meio campo daquela seleção teve que desdizer uma entrevista para o Pasquim contrária ao regime, sob pena de ser dispensado da seleção.

A repressão também alcançou a vida do maior ídolo do Flamengo. Nando Antunes, irmão de Zico, foi preso e torturado. Edu, outro irmão do Galinho não foi convocado para a Copa de 1970. Tudo porque a família de cinco irmãos, todos jogadores de futebol, eram considerados comunistas pelos militares.

Há também os craques que utilizaram a fama e talento nas quatro linhas para lutar pela democracia. Reinaldo, do Atlético Mineiro, e a mão levantada nas comemorações, lembrando os panteras negras, Sócrates e a democracia corintiana e Afonsinho no Botafogo.

Passados os anos, gênios do futebol ficam guardados em nossa memória pelo talento e genialidade. Já para figuras como Emílio Garrastazu Médici e Wison Witsel resta o desprezo público e o ostracismo da história.

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