Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb. Escreve às terças-feiras.

Josué de Souza: “Relação entre religião e política está mais aparente nestas eleições”

Colunista comenta tom messiânico de candidatos à Presidência da República

Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb. Escreve às terças-feiras.

Josué de Souza: “Relação entre religião e política está mais aparente nestas eleições”

Colunista comenta tom messiânico de candidatos à Presidência da República

Josué de Souza

Fé de mais não cheira bem

No país cujos colonizadores, em seu primeiro ato, fizeram uma missa, religião e política sempre caminharam juntas. Porém, nestas eleições a relação está mais aparente. Jair Bolsonaro (PSL), líder das pesquisas, é tratado por seus seguidores como mito – apesar de não conseguir participar de um debate sem colar respostas nas mãos, como um garoto de ensino fundamental.

Em entrevista à Globo News, no início de agosto, Bolsonaro disse ser um enviado divino e que “está cumprindo uma missão de Deus”. Cabo Daciolo (Patriota), que é deputado federal, tentou fazer uma emenda à Constituição para dizer que todo poder emana de Deus. Ele diz que sua candidatura é um “sonho de Deus”.

Geraldo Alckmin (PSDB) é católico fervoroso, com ligações familiares com a Opus Dei, porém, não nega apoio dos evangélicos. Sua vice, Ana Amélia, no programa eleitoral da chapa, é apresentada como uma mulher do signo de Áries, e por isso é determinada e capacitada para ser vice–presidente.

Marina Silva (Rede), que é evangélica, mas também já foi católica, tenta se equilibrar com a agenda conservadora de parte de seu eleitorado. O PT, que ainda não confirmou oficialmente o candidato a presidente, promove uma verdadeira procissão sebastianista a Curitiba idolatrando Luiz Inácio Lula da Silva e assim alimentando a crença no salvador da pátria.

Cenário típico de um país em que a modernidade e a democracia não conduziram a sociedade ao fim do misticismo e das crenças religiosas, mas a uma pluralidade de crenças. O elemento central deste processo é não somente o fim do monopólio religioso de um grupo ou tradição religiosa, mas um mosaico religioso, que tem como integrante uma diversidade de novos movimentos e velhos atores, desde os mais fundamentalistas até os que valorizam uma intensa carga emocional.

Nesta eleição, de forma mais reveladora, essas relações estão vindo à tona. Em meio a uma diversidade de mitos, deuses, profetas e enviados, apareceu um Adélio, de sobrenome Bispo, que se diz enviado por seu Deus, e tentou assassinar outro que se intitula mito.

Que nossas instituições republicanas nos livrem das consequências deste ato.

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