Moradora de Indaial com câncer incurável vende trufas para bancar tratamento com canabidiol

Medicamento é o único que possibilita Edilaine a lidar com a dor

Moradora de Indaial com câncer incurável vende trufas para bancar tratamento com canabidiol

Medicamento é o único que possibilita Edilaine a lidar com a dor

Alice Kienen

Aos 28 anos, Edilaine Oening recebeu uma das notícias que as mulheres menos esperam. A moradora de Indaial estava com câncer de mama. Desde então, ela removeu o tumor, passou por um tratamento pesado e descobriu uma metástase no quadril, que a impedia de viver normalmente.

“Eu tenho muitas dores nos ossos. Se usava uma calça apertada, só de botar e tirar sofria muito. Também não conseguia dormir do lado esquerdo. Não conseguia fazer almoço sem precisar tirar um cochilo depois, porque ficava exausta”, conta a gaúcha que mora na cidade há 11 anos.

O que mudou a vida de Edilaine foi um medicamento ainda pouco explorado no Brasil: o canabidiol. Após a indicação de um amigo que viu a filha se recuperar das convulsões diárias com o óleo, ela foi atrás para tentar buscar uma vida mais tranquila.

“Eu tinha medo no início, porque não acreditava. Em três dias já não sentia mais nada. Comecei há menos de um mês e poder voltar a ser ativa é minha maior felicidade. Sempre fui muito ativa e agora tenho tanta disposição quanto antes”, comemora.

Otimismo apesar da adversidade

Quando recebeu o diagnóstico, Edilaine tinha uma filha de apenas 13 anos. Ainda assim, ela respirou fundo e aceitou o futuro. “Orei a Deus aceitando tudo que ele reservou para mim. Aceitei o câncer, mas pedi ajuda para passar em paz e sem chorar. Tive muita dificuldade no processo, mas muito carinho e ajuda da minha família e amigos”.

A filha e o marido também mantiveram a cabeça erguida. Para Edilaine, isso foi fundamental no tratamento. Um dos principais objetivos dela é desmistificar a ideia de que um paciente paliativo de câncer precisa estar abatido, doente e à beira da morte.

“Tenho dias difíceis. Quando fiz a quimioterapia vermelha, passava dois ou três dias dormindo direto. Mas aprendi a respeitar meu corpo. Sei que ficaria bem porque meu corpo precisava se reestabelecer. Não pode se atirar e pensar que a vida acabou. Hoje as pessoas só sabem que eu tenho câncer por conta da careca”, conta.

Apoio da família foi essencial para Edilaine passar pelo tratamento em paz. | Foto: Arquivo pessoal

Diagnóstico chegou tarde

Tudo começou em 2017, quando Edilaine passou por uma operação no ovário. Durante o acompanhamento ela já percebia um caroço no seio. Porém, por não ter histórico familiar e ser jovem, a ginecologista não se preocupou. Foi apenas quando a mama dela começou a ficar deformada que um exame foi realizado.

Preocupada, ela chegou a considerar pagar o exame particular para garantir um resultado rápido. Mas foi acalmada pela médica. Ela trabalhou normalmente por alguns meses, até descobrir o nódulo maligno. O câncer de mama HER2 já estava em um estágio mais agressivo.

“A médica, que era bem conceituada, ficou visivelmente abalada. Me pediu desculpas e me encaminhou com urgência para oncologia. Fui direto para a Rede Feminina para conseguir mais informação, porque tava curiosa com tudo que iria acontecer”, relembra.

Foram quatro ciclos de quimioterapia vermelha, 21 da branca, 28 sessões de radioterapia e uma mastectomia radical. Edilaine chegou a usar prótese de silicone, mas o corpo rejeitou e precisou ser removido. Apesar disso, ela se recuperou e voltou a trabalhar.

“Nesse meio tempo já vendia trufas porque o INSS cortou meu pagamento. Fiquei desesperada sem renda, porque tínhamos empréstimo do carro e da casa pra pagar. Você não espera ficar doente nessa idade. Mesmo fazendo todo tratamento pelo SUS, são muitos gastos”, diz.

Metástase que saiu do controle

Após acreditar ter vencido o câncer, Edilaine começou a cursar Psicologia e voltou a trabalhar no comércio. “Feliz da vida”, como ela relembra, demorou a dar atenção para as dores no quadril. Acreditava ser a movimentação, com a qual já não estava mais acostumada.

Foi aí que uma série de exames entregou a verdade: o câncer havia sofrido uma metástase para o quadril. Por ter se espalhado rapidamente, Edilaine não tem como operar o local e remover o tumor. Resta apenas tratar ele e garantir uma vida confortável com as limitações.

“Tirei os ovários para impedir a produção hormonal de agravar o câncer e mantenho o tratamento. Vou começar uma nova quimioterapia e faço hormonioterapia. Agora minha vontade é tirar a outra mama, pois ter só uma atrapalha. Não fico pensando que to feia. Tenho uma careca hoje, o que vou fazer? Já tentei usar peruca e lenço para evitar o constrangimento dos olhares, mas não me incomoda”, relata.

Edilaine lida bem com os efeitos colaterais do tratamento, só se incomoda com os olhares das pessoas. | Foto: Arquivo pessoal

Atualmente, Edilaine busca quebrar a ideia de que as pessoas precisam olhar para ela com pena. O que a entristece não é a saúde, mas sim ver amigas que também enfrentam o câncer perderem amizades por conta das pessoas não saberem lidar com a doença.

“Eu nunca tive infância, fui criada já adulta. Aos 10 já trabalhava e aos 14 estava grávida. Agora que comecei a pensar em mim. Porém, foi uma grande oportunidade ter vivido tudo que vivi com minha filha nesses 17 anos. Se eu morresse amanhã, morreria feliz da vida”, conclui.

Com o óleo de canabidiol, ela consegue manter a qualidade de vida. Para custear o tratamento, Edilaine vende trufas e entrega em Indaial e Blumenau. O telefone para encomendas é (47) 9-9169-4878.


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