“Não basta muros altos”: audiência pública debate segurança nas escolas, papel dos pais e a importância da saúde mental em Blumenau

Encontro ocorreu na noite desta segunda-feira, 18, na Câmara de Vereadores

Pais, professores e a comunidade em geral se reuniram em uma audiência pública na noite desta segunda-feira, 18, para debater um tema de extrema importância para a sociedade atual: a segurança nas escolas. O encontro foi realizado na Câmara de Blumenau.

Proposta pelos vereadores Professor Gilson de Souza (União) e Cristiane Loureiro (Podemos), a ideia da audiência surgiu após uma conversa entre os parlamentares com Jennifer Pabst e Paulo Pabst, fundadores do Projeto Vamos Salvar o Dia e pais de Bernardo Pabst da Cunha, vítima do ataque à creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau.

Estiveram presentes na audiência a secretária municipal de Educação, Simone Janice Bretzke Probst; representantes da Coordenação Regional de Educação e da OAB Blumenau; representante do 10º Batalhão de Polícia Militar; a delegada regional de Blumenau, Juliana Souza Tridapalli; Cleusa Kratz, coordenadora Regional de Educação; a vereadora mirim Laís de Aviz Kreuch, além dos parlamentares Adriano Pereira (PT), Jean Volpato (PT), Alexandre Matias (PSDB), e Bruno Win (Novo).

Ações realizadas

A secretária Simone disse que a rede aposta em uma cultura da paz. Afirmou que já foi implantado um plano de Segurança Escolar na Secretaria de Educação em parceria com a Defesa Civil, realização de visitas técnicas para avaliar os muros e cercas, formação no Plano de Contingência, rodas de conversas e acolhimento e a contratação de vigilância armada.

Cleusa diz que para falar de segurança escolar é preciso falar de família, e para ter segurança é preciso ter base familiar. “Enquanto as famílias não se conscientizarem que isso começa em casa, não adianta cobrar do poder público”, enfatizou. Ressaltou ainda que é preciso ter segurança a todo momento.

A delegada regional de Blumenau citou que desde 2023 a Polícia Civil criou medidas como canal Denúncia Escola, Cyberlab e cursos específicos na área para policiais. “O que aconteceu não tinha como ser previsto, ele só postou após o crime, é uma questão de saúde mental, de uso de drogas, por isso a família deve estar atenta. Não era alguém que monitorava a escola, pai de aluno ou adolescente, por isso é importante a família ficar atenta”, citou a delegada Juliana.

O Major da PM, Rodrigo Siedschlag, citou que em Blumenau há alguns programas como o Escola Mais Segura e o protocolo FEL (Fugir, Esconder e Lutar), que foi adotado em 2021 e se modernizou desde então. Ainda elencou que são feitas rondas preventivas, com mais de 15 mil visitas em escolas desde 2023, citou que muitos dos atendimentos em escolas são pequenos atritos.

Confira algumas fotos da audiência

“Não basta muros altos”

Uma das mães das vítimas fatais do ataque à creche de Blumenau, Jenifer diz que os pais devem fazer o seu dever de casa e criticou aqueles que não fazem a sua parte. Lembrou que o projeto Vamos Salvar o Dia nasceu 15 após a morte do filho e que foi até Brasília lutar pelas crianças de todos. Diz que não há dor maior do que perder um filho. Afirmou que é preciso ter ação e não ficar só no plano e ainda criticou a falta da presença do prefeito e da vice.

Falou que a segurança nas escolas envolve todo o corpo educacional. Lembrou que devido à luta foi possível mudar uma lei federal – que transformou os ataques em escolas em crime hediondo. Solicitou uma Comissão de Segurança nas Escolas, para mapear as vulnerabilidades dos educandários.

Jennifer também afirma que hoje os pais terceirizam o amor para as telas. “Não basta muros altos, é preciso de pais que amem”. Destacou que é preciso responsabilizar os pais, pois muitas das denúncias de ataques são de adolescentes frustrados. Disse que os pais devem largar o celular e criar vínculos com os filhos. Afirmou que os filhos estão alienados em jogos de internet e disse que os pais devem levantar do sofá.

Ainda pontuou que a chamada do botão de pânico não pode ser direcionada para prefeitura, mas sim diretamente para polícia. “Meu filho foi assassinado em 20 segundos, a chamada não pode ir para prefeitura, tem que ir para polícia”, criticou. Por fim, ainda afirmou que é preciso ter políticas públicas sobre saúde mental.

Priscila Francisca Krieger, representante da OAB Blumenau, afirmou que a responsabilidade que tanto é cobrada passa pelas famílias. Disse que é preciso parar de apontar o dedo e fazer de conta que nada aconteceu, que é preciso de plano seguido de ação, pois caso contrário não funciona. Disse que a saúde mental da sociedade está colapsando e que a educação para saúde mental é uma urgência.

Esposo de Jenifer e pai do Bernardo, Paulo também fez uso da tribuna. Ele também é responsável pelo projeto Vamos Salvar o Dia. Diz que os pais devem ensinar os filhos, mostrar o que é certo e errado, e que devem dar atenção aos filhos e não terceirizar o amor e a educação dos pequenos.

Comissão de Segurança nas Escolas

Matias, que foi secretário de Educação de Blumenau na época da tragédia, diz que muitas coisas foram feitas desde o fatídico dia, mas que ainda há muito para ser feito. Disse que a segurança escolar vai muito além de muros e câmeras. Disse que é preciso que os pais parem de terceirizar as responsabilidades, deixando que os professores eduquem e que outros lutem por eles.

Volpato defendeu a criação de uma Comissão Permanente de Segurança nas Escolas, disse que é um tema que precisa estar na agenda política. O vereador Adriano também criticou a falta de presença dos pais na audiência, e afirmou que esperava um público maior devido à importância do tema.

Bruno diz que atualmente a sociedade está doente, com diversos problemas que envolvem a saúde mental. Diz que hoje as escolas são usadas como depósito de crianças e em casa a atenção das crianças é terceirizada para as telas.

O Professor Gilson disse que no papel as ideias são ótimas, mas que na prática não é da mesma forma. Também criticou que as chamadas do botão do pânico não vão diretamente para a PM. Disse que os pais não participam das Associações de Pais e Professores (APP). Afirmou ainda que o plano de ação de segurança tem que ser feito de forma individual para cada educandário.

A vereadora Cristiane afirma que é preciso lutar para que essa tragédia não se repita. Afirma que o botão do pânico é apenas uma medida, mas que é preciso de uma série de ações. Também frisou a necessidade de mapeamento de vulnerabilidades. Diz que é preciso que todos estejam preparados para caso ocorra uma nova tragédia.

Ao final da audiência, os vereadores proponentes informaram que vão em busca da implantação da Comissão de Segurança nas Escolas.

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