“Não tenho vergonha de ser político porque acredito na boa política”, diz Mário Hildebrandt

Prefeito de Blumenau afirma que preocupação não está na reeleição, e sim no legado que deixará no município

“Não tenho vergonha de ser político porque acredito na boa política”, diz Mário Hildebrandt

Prefeito de Blumenau afirma que preocupação não está na reeleição, e sim no legado que deixará no município

Alice Kienen

O ano de 2019 representou para Mário Hildebrandt o primeiro ciclo completo como prefeito de Blumenau. Após um ano e nove meses comandando o poder executivo da terceira maior cidade de Santa Catarina, o mirindocense avalia este período como muito positivo.

Hildebrandt (à época no PSB) assumiu a Prefeitura de Blumenau como vice de Napoleão Berdardes, que na época estava filiado ao PSDB. Um ano e meio depois, Napoleão renunciou ao cargo para concorrer, inicialmente, a senador. No fim, acabou disputando o cargo de vice-governador na chapa de Mauro Mariani (MDB).

Desde então, Napoleão trocou o PSDB pelo PSD e resolveu se dedicar à carreira acadêmica e profissional. Já Hildebrandt deixou o PSB após o partido apoiar Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. O prefeito blumenauense apoiava o adversário, Jair Bolsonaro (PSL).

Apesar de continuar sem uma sigla definida para disputar a reeleição em 2020, Mário Hildebrandt afirma não estar preocupado com o tema no momento. “O debate eleitoral está presente. As pessoas me cobram em que partido estou, mas já disse que antes de fevereiro não vou tomar uma decisão. Meu partido agora é o PPB, partido por Blumenau. Meu foco está na gestão e resultado para a comunidade”.

Carreira política

A vida pública de Hildebrandt teve início em 2005, na Secretaria de Assistência Social. Entretanto, para ele o momento decisivo para este legado político foi em 1992, quando ele integrou um grupo de jovens da igreja que frequentava. “Isso mudou minha vida e abriu as portas do mundo político para mim”.

Foi a partir da liderança de um grupo de oração que o jovem foi convidado para ser voluntário no Cerene (Centro de Recuperação Nova Esperança), onde acabou trabalhando. Cargo que o levou à graduação em Serviço Social e ao trabalho com a assistência social do município.

Ele coloca nessa experiência o peso para lidar com as críticas e cobranças do público. “O prefeito não faz, o prefeito tem 8.900 funcionários. Como vou controlar tudo? É impossível. Não sou Deus, não sou onisciente nem onipresente. Mas é claro que cabe a mim cobrar e acompanhar este trabalho”, comenta.

Karolina Bonin/Especial O Município Blumenau

Hildebrandt acredita que antecipar a discussão eleitoral atrapalha a produtividade do poder público. Para o político, as eleições a cada dois anos fazem com que o país “pare” quase que anualmente para focar em votos e não em atitudes.

“Não tenho vergonha de ser político, porque acredito na boa política. Nem é a velha, nem a nova, a boa. Aquela feita com respeito, transparência, dignidade e honestidade. Hoje sou o mesmo que era antes de ser prefeito, não mudei nada na minha vida. Afinal, continuo pagando impostos como todos”, defende.

“Turismo é forte gerador de emprego e renda”

Hildebrandt nunca escondeu o potencial que vê no turismo blumenauense. Após divulgar os resultados positivos da 36ª Oktoberfest, que ele cita como prova de que o investimento está valendo a pena, a expectativa agora é pela Sommerfest 2020.

A festa, assim como Réveillon, Magia de Natal, Páscoa e Festival da Cerveja são as apostas para construir um calendário de eventos forte para a cidade e consolidar a fama que a cidade tem Brasil afora. O turismo esportivo, que lotou os hotéis de Blumenau neste ano, também está em foco.

“Alguns anos atrás ouvíamos que ninguém ficava em Blumenau no Réveillon. Este ano receberemos turistas que já fizeram reservas nos hotéis. Além disso, temos vários hotéis novos e revitalizados na cidade. Isso comprova que nosso esforço está dando certo”, exemplifica.

“Não podemos mais tratar o turismo de Blumenau como a Oktoberfest. Ela é um dos nossos eventos que vai ajudar a impulsionar os outros”

Para ele, o turismo é um forte gerador de emprego para toda a população e renda para a cidade. Entretanto, o prefeito de Blumenau destaca que este deve ser um esforço conjunto dos municípios do Vale do Itajaí.

“Eu digo isso para os prefeitos da AMMVI [Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí]. Blumenau sobrevive sem vocês, mas nós podemos ter muito mais juntos. Se conseguimos ter um roteiro organizado, as pessoas podem movimentar economicamente toda a região”, declara.

Para concretizar isso, Hildebrandt entende que precisa desmistificar a ideia de que turismo gera apenas bagunça. “O turismo gera impostos que eu aplico na educação, na saúde, na assistência social, na mobilidade urbana”, exemplifica. Outro desafio, que já foi altamente transformado nos últimos anos, é repaginar a principal festa da cidade.

“A Oktoberfest dos anos 90 era a Oktober do turismo do ônibus. As pessoas de Blumenau não aguentavam mais. Tiramos a característica da festa etílica para festa da cultura, da tradição e da gastronomia”, celebra.

Gestão focada em organização de processos

Para Mário Hildebrandt, a questão da gestão e da organização dos processos foram os principais destaques do seu mandato como prefeito de Blumenau. Ele acredita que a falta de planejamento na captação de recursos é uma grande falha da administração pública.

“Quando entrei aqui tive dificuldade de encontrar projetos preparados para atender a necessidade da comunidade. Agora, quando um deputado senta comigo, posso apresentar os projetos prontos de acordo com as prioridades de investimento deles”, comenta.

Outra preocupação é com os projetos a longo prazo, aqueles que, nas palavras de Hildebrandt, “não verei a transformação como prefeito”. Entre eles está o ensino bilíngue, reivindicação que ele tem desde que assumiu como vice-prefeito e tornou prioridade assim que Napoleão renunciou ao cargo.

“Somos uma das poucas cidades que, apesar da crise, continua investindo em nossos atletas e na cultura”, exemplifica. O próximo desafio é fortalecer as empresas de tecnologia, que têm trazido grandes investimentos para a cidade.

Mesmo as obras mais práticas, como revitalização de ruas e construção de terminais, Hildebrandt acredita que precisam ser feitas com atenção. Ele defende a resolução do problema como um todo, atuando na base.

“As pessoas funcionam na velocidade do WhatsApp e esquecem que temos a velocidade da burocracia. Não consigo mudar um orçamento de um ano para o outro. Eu ainda estou no P.P.A. do Napoleão”, explica.

Decisões polêmicas e delicadas como a extinção da Companhia Urbanizadora de Blumenau, a redução de cargos comissionados e o anúncio do pacote de concessões para iniciativa privada também foram citadas como vitais para manutenção da cidade.

“Estou deixando de jogar dinheiro no ralo e apresentando bom serviço para a cidade, devolvendo para ela a característica de cidade jardim – que eu ouvi ao longo dos 30 anos que moro aqui, mas só conhecia a cidade, o jardim não tinha visto ainda”, ironiza.

Karolina Bonin/Especial O Município Blumenau

Parque das Itoupavas

Quando questionado sobre uma das reivindicações mais acaloradas do público, o prefeito deixou claro que não é possível estabelecer um prazo. Apesar de ter ficado pronto no primeiro semestre de 2018, o Parque das Itoupavas só será inaugurado quando as obras da BR-470 ao lado do terreno forem finalizadas.

“Não tinha como abrir, é um risco muito grande. Concluída a passagem, entregaremos logo na sequência. Eu não posso dar datas, mas se eles cumprirem o prometido em março ou abril consigo entregar para a comunidade”, declara.

Hildebrandt também lembrou que o parque que o público vê hoje é apenas a parte inicial. A prefeitura já possui um projeto de ampliação que envolve uma nova rua e uma área para esportes radicais. A pista de skate e bicicross deve ser construída com a emenda impositiva de R$ 1 milhão do deputado Jean Kuhlmann (PSD).

Relação com o governador

Hildebrandt entende o governador do estado, Carlos Moisés, como uma pessoa inacessível. “Não é uma relação de Blumenau. Se você falar com outros municípios vai ver que é uma relação do governador para com os prefeitos”, diz Mário, que atuou com outros três representantes de Santa Catarina no passado.

“Eu, como vice-prefeito, se eu ligasse pro Raimundo Colombo ele retornava a ligação. O atual governador você liga e só consegue falar com secretários. Quando ele foi eleito levei uma semana para conseguir falar com ele para desejar os parabéns, isso que somos a terceira maior cidade do estado”, exemplifica.

Segundo o prefeito, as agendas que ele teve com Moisés foram demoradas, mesmo que nenhuma delas tenha sido individual para Blumenau. Quando o governador esteve na cidade, a relação continuou distante e pouco íntima.

A prioridade, entretanto, foi cumprida: o Centro de Convenções do Parque Vila Germânica. O projeto, que está pronto há mais de três anos e aguardava verbas, receberá R$ 28 milhões do estado. Entretanto, a obra ainda precisa passar pelos editais de licitação.

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