“Nenhuma cidade é preparada para enxurradas”, diz secretário de Defesa do Cidadão de Blumenau

Rodrigo Quadros e o coordenador regional de Defesa Civil falaram sobre o que pode ser feito em dias de chuva forte

“Nenhuma cidade é preparada para enxurradas”, diz secretário de Defesa do Cidadão de Blumenau

Rodrigo Quadros e o coordenador regional de Defesa Civil falaram sobre o que pode ser feito em dias de chuva forte

Bianca Bertoli

É de repente. A chuva forte cai, e, sem ter para onde escorrer, para no meio de ruas, transborda dos ribeirões e inunda casas. Episódios como o vivido no bairro Itoupavazinha no último sábado, 31, não podem ser previstos com muita antecedência, nem se Blumenau tivesse os melhores equipamentos do mundo.

Leia também: Três horas de chuva pesada causaram alagamentos, deslizamentos e estragos em diversos bairros de Blumenau na noite de sábado. Duas pessoas morreram na Itoupavazinha, onde choveu 101 milímetros

A explicação vem de meteorologistas e das Defesas Civis municipal e estadual. Segundo Gilsânia Cruz e Tatiane Martins, meteorologistas do Epagri/Ciram e AlertaBlu, respectivamente, só é possível prever que a água cairá com força quando a nuvem carregada já está formada. Ou seja, enxurradas como essas são notadas no máximo uma hora antes de acontecerem – o que dificulta o aviso a toda a população.

Os profissionais do AlertaBlu observam dois sistemas de acompanhamento de raios, imagens de satélite e os radares disponibilizados pela Aeronáutica, Simepar e Defesa Civil do estado. Os radares precisam identificar a nuvem já formada para que a leitura da duração da chuva possa ser feita:

“É difícil acertar a quantidade, mas a persistência [da chuva], não. A gente precisa de estudo. No geral, os meteorologistas brasileiros não têm muita experiência com radares. Estamos engatinhando em relação a países desenvolvidos”, explica Gilsânia.

Pegos de surpresa
A sensação de impotência prevalece entre moradores. Sobre o que fazer, tanto a nível estadual como municipal, a orientação da Defesa Civil é a mesma: prevenção. Depois disso, não há o que ser feito.

“Nenhuma cidade é preparada para enxurradas. O que dá pra fazer a gente tem tentado fazer: manter as bocas de lobo sempre limpas, limpar ribeirões e diques. A água baixou rapidamente, sinal que a prefeitura está fazendo seu papel. Mas a população também tem que fazer a sua parte, não entupir, não deixar o carro estacionado em cima de boca de lobo, limpar suas calhas, fazer toda a tubulação das suas residências, o que não acontece. A população também peca muito nesse sentido”, disse o secretário municipal de Defesa do Cidadão, Rodrigo Quadros.

O coordenador regional de Defesa Civil, Jackson Dirceu Laurindo, enfatiza que é importante que o cidadão conheça o local onde vive. Há regiões de Blumenau que, quando o solo encharca, a chance de deslizamento é muito grande. Até o final do próximo ano um mapeamento detalhado deve ser finalizado pelo Governo do Estado em todo o território catarinense.

Além disso, a maior instrução é acompanhar de perto o monitoramento do AlertaBlu, seja por SMS, aplicativo ou site. Às vezes, a nuvem carregada se forma, o alerta é enviado,  mas a chuva não cai – foi o que aconteceu na tarde deste domingo, 1º. Como não há controle sobre o fenômeno, “é preferível pecar pelo excesso”, acredita o coordenador.

“Quem escuta o alerta que foi para a região onde mora, já deve começar, no mínimo, a erguer as coisas”, resume o secretário.

 

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