Número de assaltos e furtos despenca em Blumenau

Policiais analisam redução no número de crimes entre janeiro e maio deste ano

Número de assaltos e furtos despenca em Blumenau

Policiais analisam redução no número de crimes entre janeiro e maio deste ano

Bianca Bertoli

Blumenau está mais segura em comparação aos últimos dois anos, ao menos sob o ponto de vista das ocorrências de homicídios, furtos e assaltos. A queda chega a 72% entre 2017 e 2019, no caso dos furtos. Os assaltos tiveram diminuição de 61% (de 279 para 108). Os homicídios, 15%. A análise leva em conta os meses de janeiro a maio de cada ano.

Para policiais civis e militares, a explicação tem várias frentes, mas a intensificação no combate ao tráfico de drogas, que normalmente está atrelado a outros delitos, e uma aproximação maior com a comunidade são as principais delas.

Os números

Homicídios
2019 – 17
2018 – 19
2017 – 20

Furtos
2019 – 484
2018 – 1.651
2017 – 1.745

Assaltos 
2019 – 108
2018 – 179
2017 – 279

O delegado Rodrigo Raitez pondera que há muitos casos que nem chegam ao conhecimento da polícia, mas confirma que a tendência é de queda. No ano passado, quatro operações da Polícia Civil (PC) tiraram das ruas integrantes de organizações criminosas. Isso, para ele, auxiliou a ponta do gráfico a descer.

No começo deste ano os boletins de ocorrência passaram a ser unificados entre as polícias, o que também pode ter interferido no cálculo. Os registros de furtos despencaram de 1.745 em 2017 para 484 neste ano.

“Não sei se nessa proporção, mas essa diminuição houve mesmo”, ressalta o delegado regional Egídio Ferrari.

A maioria das mortes tem sido atrelada ao tráfico de drogas, que, na opinião de Raitez, há como combater diretamente, diferente de outros tipos de assassinatos, como os feminicídios.

“A questão dos homicídios está muito vinculada ao tráfico de drogas e à organização criminosa. São acertos de dívidas, desavenças, brigas internas e externas, enfim, está muito ligado a esses fatores”, enfatiza.

Rede de proteção

Comandante do Batalhão da PM de Blumenau desde o segundo semestre de 2016, Jefferson Schmidt destaca a aproximação da corporação com a sociedade nestes últimos anos. Apesar do número de policiais ser considerado baixo para o tamanho da cidade (222 no total), Schmidt tem buscado tecnologias e capacitação para os policiais.

“Nós usamos a criatividade, a expertise. Mesmo sem investimentos aumentamos a repressão”, comemora.

Um dos cases de sucesso da PM é a Rede de Vizinhos. Quando Schmidt chegou a Blumenau, em 2016, 121 ruas possuíam o programa. Atualmente são 430, a maior cobertura do estado, de acordo com Schmidt.

Neste programa, os vizinhos vigiam as casas uns dos outros e informam qualquer movimento atípico, criando uma rede de proteção. Os Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs), PM e PC auxiliam na criação, com uma reunião de treinamento aos moradores.

Walter Salvador é do bairro Velha e vice-presidente do A-Conseg, associação que une os sete Consegs de Blumenau. Ele conta que nas reuniões mensais do Conseg da Velha, do qual também faz parte, os policiais levam os números de ocorrências registrados mensalmente na região.

“Nós percebemos que diminuiu e isso aconteceu porque a atuação da PM e da Polícia Civil está maior e melhor. Toda semana vemos barreiras policiais, há batidas nos morros… Apesar do número de policiais ser inferior, eles têm sido muito presentes”, acredita Salvador.

Fórmula ideal

O advogado Rodrigo Novelli, que integra a Comissão de Segurança Pública da OAB Blumenau, concorda que a presença mais frequente da PM pelas ruas interfere diretamente na quantidade de crimes cometidos, mas complementa que outras questões, se resolvidas, auxiliariam ainda mais no combate ao crime:

“Não adianta você ter uma polícia que trabalha, um Judiciário que condena e não ter como colocar essa pessoa presa por falta de vaga”, critica.

A OAB busca a construção do complexo penitenciário na região, com a unidade do regime semiaberto e um novo presídio. Esse reforço e a criação de uma 4ª Vara Criminal na Justiça de Blumenau, para dar celeridade aos processos, é um dos caminhos que Novelli aponta como solução.

“A receita é fácil, concretizar que é difícil”, lamenta.

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