Nunca se matou tanto em Blumenau quanto em 2017

Com 33 homicídios, este já é o ano mais violento da história da cidade

Nunca se matou tanto em Blumenau quanto em 2017

Com 33 homicídios, este já é o ano mais violento da história da cidade

Danubia de Souza

Nunca na história de Blumenau um mesmo ano somou tantas mortes violentas. Já são 33 homicídios e latrocínios na cidade em 2017, com 72 dias para o fim do ano. O Município Blumenau cruzou dados da Polícia Civil e do Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 1996, último ano com estatísticas disponíveis, nunca se matou tanto.

As 33 mortes registradas até quinta-feira representam um crescimento de 43% sobre o mesmo período do ano passado, que teve 23 ocorrências. Para a Polícia Civil, apesar de o número estar acima da média, ele não reflete maior insegurança na cidade. Isso porque as motivações dos crimes não apontam para maior atividade do crime organizado ou do tráfico. São as desavenças a principal causa de mortes violentas em Blumenau este ano.

Segundo o delegado Bruno Effori, responsável pela Divisão de Homicídios, a maioria das ocorrências teve origem em brigas banais, muitas vezes dentro de casa.

“A maioria dos homicídios ocorridos neste ano foram de desentendimentos pontuais entre autor e vítima. Entre eles, motivos fúteis, passionais e até vinganças” explica o delegado.

Para o coordenador da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Blumenau, Rodrigo Fernando Novelli, esse alto número de casos é reflexo da sociedade atual:

“A fragilidade do Estado e das políticas públicas acaba potencializando essa situação. É um reflexo da sociedade em que vivemos, onde os crimes acontecem até mesmo pela exaltação dos ânimos. Só conseguimos prevenir essas ocorrências com conscientização e educação”.

Violência dentro de casa

Dos 33 assassinados de 2017, três são de mulheres. Todas foram vítimas de crimes ocorridos dentro da segurança do lar. Neuza Grassmann, de 47 anos, foi encontrada morta no sofá de casa, no Salto do Norte, em janeiro. O principal suspeito é o namorado, que está preso.

Leoniza Salete Pedro, de 58 anos, foi morta a tiros pelo namorado, que se matou em seguida. Mesmo destino do marido de Nelcy Aparecida Marolim, de 48 anos, morta a facadas pelo companheiro.

Outro crime doméstico deste ano tirou a vida de um policial. Cleverton Fernando Zimmermann, de 36 anos, foi morto a tiros dentro de casa pela esposa. A mulher justificou que sofria violência psicológica e que o policial estaria ameaçando matar a própria filha.

Brigas fúteis

Uma briga pela herança de um terreno, uma discussão no trânsito e até mesmo um desentendimento entre desconhecidos dentro da rodoviária terminaram em morte em Blumenau neste ano.

Oscar Silva, de 61 anos, foi espancado por três pessoas, entre elas uma mulher. Tudo foi registrado pelas câmeras de monitoramento. Nas imagens, ele leva vários socos e pontapés, principalmente na cabeça. Silva foi encaminhado em estado grave para o hospital e morreu na semana passada, quase um mês depois de ser internado.

“Esse tipo de crime não tem como prevenir. São desentendimentos diretos entre os envolvidos”, lamenta o delegado Bruno Effori.

 

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