Polícia Rodoviária diz que foi ao hospital dar voz de prisão a João Pizzolatti, mas ele havia sumido

Para advogado especialista em trânsito, único erro dos policiais foi não ter acompanhado a chegada ao Santa Isabel

Polícia Rodoviária diz que foi ao hospital dar voz de prisão a João Pizzolatti, mas ele havia sumido

Para advogado especialista em trânsito, único erro dos policiais foi não ter acompanhado a chegada ao Santa Isabel

Bianca Bertoli

O chefe do posto da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) de Blumenau afirmou nesta quinta-feira, 21, que policiais foram ao Hospital Santa Isabel para dar voz de prisão ao ex-deputado João Pizzolatti, envolvido em um acidente de trânsito na quarta. Segundo o sargento Nildo Pasta, quando chegaram ao local ele já havia deixado o pronto-atendimento.

O acidente foi na rodovia Werner Duwe, via estadual que liga Blumenau a Pomerode. Pizzolatti dirigia uma caminhonete Volvo no sentido Pomerode quando bateu de frente num Fiat Mobi, que vinha na direção contrária. O motorista do Mobi, Paulo Marcelo Santos, de 23 anos, teve queimaduras nas pernas e quebrou um braço. Ele teve de ser retirado às pressas do carro por pessoas que passavam pelo local para não morrer carbonizado. Santos continua na UTI do Hospital Santo Antônio.

Conforme o sargento Pasta, Pizzolatti seria preso já no local do acidente porque se recusou a fazer o teste de bafômetro e aparentava sinais de alteração psicomotora, mas o médico do Samu orientou a levá-lo ao hospital. Em um vídeo enviado à redação do Município Blumenau, o deputado admite que estava bêbado.

“Nós estávamos terminando o levantamento para conduzir ele [à delegacia]. Logo chegou o Samu e o médico achou melhor o conduzir para o hospital. Quando terminamos o levantamento, fomos para o hospital fazer o procedimento [dar voz de prisão] e lá soubemos que ele tinha dado entrada, mas tinha sumido. Ninguém soube dizer com quem ele saiu”, explica.

O médico do Samu Miguel Aiquel integra a equipe do helicóptero Arcanjo, que foi deslocado para a ocorrência. Ele conta que orientou a condução ao hospital para uma avaliação:

“Pela característica do acidente é recomendável ir para o hospital, mas eu acreditava que a polícia já tivesse autuado, feito isso aí. Até foi perguntado para a polícia e a polícia disse que iria tomar as providências. Fiquei sabendo depois que parece que eles não acompanharam, algo assim”.

Além da Polícia Rodoviária, havia homens da Polícia Militar no local do acidente.

O que diz a lei

Para o coordenador da comissão de Transporte e Mobilidade da Subseção de Blumenau da Ordem dos Advogados do Brasil, Christian Panini Carvalho, o único erro dos policiais foi não ter acompanhado a ambulância até o hospital:

“Não tem nenhuma conduta irregular, nem do policial e nem do médico do Samu. A grande questão é: ele [João Pizzolatti] não é obrigado a produzir provas contra ele e no hospital teria sangue recolhido. Quem deve, foge. A polícia, de certa forma, chegou atrasada. O que deveria ter acontecido era ter acompanhado a ambulância e deixado um policial por ali. Se ele tentasse fugir, esse policial daria voz de prisão, porque ainda teria flagrante”.

O advogado explica que, ao sair do hospital, o ex-deputado se livrou da necessidade de ir até a delegacia e pagar fiança, que é prevista em crimes de trânsito. O caso segue nesta quinta-feira à tarde para a Polícia Civil. Além de responder por dirigir alterado, Pizzolatti pode ser indiciado por lesão corporal.

Família da vítima presta queixa

A família de Paulo Marcelo Santos, de 23 anos, que ficou ferido no acidente, fez boletim de ocorrência contra o ex-deputado e contra a PMRv. O padrasto de Santos, Rafael Prochnow, que é bombeiro voluntário de Pomerode, acredita que a polícia foi negligente ao não conduzir Pizzolatti à delegacia:

“O que a gente sempre atende como bombeiro é que, em casos como este, vai uma guarnição da polícia junto com a vítima embriagada, e depois ela é conduzida à delegacia. Nesse caso foi feito completamente ao contrário, isso que aconteceu foi inédito”.

O estado de saúde de Santos é grave, mas estável. Ele teve queimaduras de segundo e terceiro graus nas pernas e quebrou punho e tornozelo. Não há previsão de alta do Hospital Santo Antônio, onde segue internado na UTI.

“Sensação de impunidade a mil. Nós estamos com ele no hospital enquanto o cidadão está livre sem dano algum”, protestou Pochnow.

O que diz o ex-deputado federal João Pizzolatti

A reportagem tentou ligar para o celular dele desde a tarde de quarta-feira, mas o telefone estava desligado. Na manhã desta quinta, familiares dele não atenderam às tentativas de contato. Ainda na quarta, irmão dele, Paulo Pizzolatti, ex-prefeito de Pomerode, disse que o ex-deputado faz uso de antidepressivos e é hipertenso. Ele acredita que os sinais descritos pela polícia rodoviária tenham relação com os medicamentos. Paulo disse que foi ao local do acidente e acompanhou o irmão até o Hospital Santa Isabel, mas não permaneceu no local durante o atendimento.

Nova lei para embriaguez ao volante

Apesar de uma lei federal que altera artigos do Código de Trânsito ter sido sancionada nesta quarta-feira, 20, a mudança só valerá daqui a 120 dias. Com ela, quem dirigir embriagado e causar acidente grave ou gravíssimo terá punição de dois a cinco anos de prisão. Se houver morte, o responsável poderá ficar detido por até 8 anos (antes a pena era de dois a quatro anos de detenção).

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