Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb. Escreve às terças-feiras.

“Prefeito Mário Hildebrandt voltou ao modo vereador”

Colunista resgata história política do chefe do Executivo para discutir veto à criação do Dia do Orgulho LGBT

Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb. Escreve às terças-feiras.

“Prefeito Mário Hildebrandt voltou ao modo vereador”

Colunista resgata história política do chefe do Executivo para discutir veto à criação do Dia do Orgulho LGBT

Josué de Souza

A trajetória política do prefeito Mário Hildebrandt (sem partido) possui inúmeras características, dentre elas, sua influência de origem religiosa. Mário Hildebrandt é ligado a Missão Evangélica União Cristã (Meuc), que é um braço da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e sua atuação política é consequência da carreira profissional que o prefeito construiu atuando no Centro de Recuperação Nova Esperança (Cerene). Uma instituição ligada à Meuc, que atua no atendimento para reabilitação de dependentes químicos.

Da atuação no Cerene, Mário chegou à prefeitura como Secretário de Assistência Social, da Criança e do Adolescente, no primeiro governo de João Paulo Kleinübing. Depois, vereador.

Desde a época em que era secretário municipal, a atuação de Hildebrandt é marcada por questões religiosas, não somente porque possui o hábito de, quando faz um discurso, pedir as bênçãos de Deus sobre os ouvintes, mas também por polemizar com temas ligados à agenda religiosa.

No ano de 2015, quando era presidente da Câmara de Vereadores, o prefeito patrocinou, juntamente com Marcos da Rosa (DEM), a retirada das palavras “gênero” e “diversidade” do Plano Municipal de Educação. A caça à palavra gênero, na época, foi tão forte, que riscou-se também do lano a palavra “gênero alimentício” para merenda escolar. A polêmica foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), onde está até hoje.

Hildebrandt chegou ao terceiro andar da prefeitura como vice-prefeito de Napoleão Bernardes (também sem partido), resultado de uma engenharia política que trazia para a chapa do ex-prefeito e ex-tucano, o voto religioso. Uma receita que já tinha dado certo no primeiro governo Napoleão. Mário substituiu Jovino Cardoso (PSD).

Outra pauta importante na carreira do prefeito é o combate ao consumo de álcool. Abstêmio por convicção, coerentemente não faz uso de álcool e explícita isso de forma pública. Algo louvável para uma autoridade pública. Porém, durante a Oktoberfest, o prefeito relativizou suas crenças e em nome do cargo público que ocupa fez a sangria do primeiro barril da Oktoberfest (simbólica, porque o chope que ele bebe na cerimônia é sem álcool).

Foi além, aproveitou a festa e investiu R$ 363 mil no Fundo Municipal para Ações de Políticas Públicas sobre Drogas (Fremad) do saldo residual do Oktober Karte, o cartão da Oktoberfest.

Ao vetar o projeto da criação do Dia do Orgulho LGBT e da Parada do Orgulho LGBT no calendário de eventos de Blumenau, Mário Hildebrandt voltou ao modo vereador. Agiu representando apenas uma parte dos cidadãos blumenauense e, em nome destes, governou a partir de seus valores religiosos.

Quando o projeto chegou a sua mesa, o prefeito tinha três opções: se vetasse, reforçaria o estereótipo de político religioso. Se aprovasse, compraria briga com seu eleitorado. Se deixasse passar o prazo, o projeto voltaria à Câmara Municipal que já o aprovou. Naturalmente homologaria o projeto. Mário optou pela primeira.

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