Quem é Marcelo Martendal, padre que assumirá a Catedral de Blumenau

Novo pároco vai substituir João Bachmann, com quem já trabalhou no início da carreira

Quem é Marcelo Martendal, padre que assumirá a Catedral de Blumenau

Novo pároco vai substituir João Bachmann, com quem já trabalhou no início da carreira

Bianca Bertoli

A notícia da transferência do padre João Bachmann entristeceu muitos fiéis da comunidade católica blumenauense. Após a surpresa inicial, é grande a curiosidade de quem não conhece Marcelo Martendal, o pároco que assumirá a Catedral a partir de dezembro.

“O padre João está há 29 anos em Blumenau, é quase o tempo que eu tenho de vida! Naturalmente a gente cria laços e afetos, assim como eu criei aqui em Indaial. A gente entende que as pessoas sintam. Nós, padres, também sentimos. Mas é a missão”, explica, com um sorriso no rosto, Martendal.

O religioso, de 35 anos, estava há quatro na Igreja Matriz Santa Inês. Ganhou a admiração de frequentadores e até de quem não costumava ir às missas. A moradora de Indaial, Zelinda Hirano, tenta explicar o motivo:

“Ele tem um carisma incrível, se preocupa com cada indivíduo da igreja, está sempre sorrindo, no meio do povo”, destaca.

Martendal, como Bachmann, é conhecido pelas missas embaladas por música e animadas. Durante a homilia, usa uma linguagem simples e exemplos do cotidiano. Ao final de cada celebração, fica à frente da porta principal para se despedir, com um aperto de mão, de cada fiel.

“As pessoas têm essa necessidade de serem bem acolhidas, muitas se decepcionam com a igreja por alguma situação, um mal atendimento. Uma das minhas preocupações é atender bem a todos, fazer o que está ao meu alcance”, explica o padre.

Ao longo do mês ele se reunirá com Bachmann para entender as demandas da Catedral. A missa de posse será no primeiro domingo de dezembro, dia 2, às 9h.

Arquivo Pessoal

Vocação

Martendal nasceu e cresceu no interior de Luís Alves. Deixou a cidade aos 14 anos para estudar no seminário, em Brusque. A família, que sempre esteve envolvida com a comunidade católica, percebeu cedo a vocação do menino.

Uma das brincadeiras preferidas do primogênito era batizar os gatos que nasciam. Ou então crismar, com o uso de farelo, as vacas que os pais criavam no sítio onde viviam. Os pássaros que morriam ao bater contra as vidraças recebiam o funeral, conduzido pelo futuro padre.

Por isso, quando Martendal falou aos 12 anos que seguiria a carreira na igreja, ninguém se espantou. Os pais apenas acreditaram que a empolgação passaria, mas concordaram em levá-lo no ano seguinte ao seminário para iniciar os estudos. À época, uma enchente derrubou uma ponte e impediu o deslocamento.

Após um ano de espera, em fevereiro de 1999 Martendal entrou para o seminário. Cursou Teologia e Filosofia, graduações obrigatórias no processo de ordenação e, após dez anos de estudos, veio à Catedral São Paulo Apóstolo, em Blumenau.

Durante dois anos atuou como vigário paroquial. Foi quando trabalhou ao lado de João Bachmann. Depois, foi transferido para a paróquia do bairro Velha Central.

“Quem vem no meu lugar, eu não sou digno de desamarrar as correias de suas sandálias. É alguém bem superior a mim”, elogiou Bachmann na quinta-feira passada, quando comunicou a novidade aos fiéis blumenauenses.

Martendal deixou Blumenau para assumir a Matriz indaialense em 2014. No começo, conta Zelinda, em dias de missa, era possível encontrar lugar para sentar dentro da igreja com facilidade. Atualmente, os moradores chegam cedo para garantir um espaço durante a celebração.

“Você sente que ele é uma pessoa iluminada. A missa começa às 19h. Tem vezes que termina pouco antes das nove e ninguém vai embora. O tempo passa e a gente nem percebe”, empolga-se.

Carinho comunitário

O apego e reconhecimento é tanto que a comunidade cogita fazer um abaixo-assinado para que ele permaneça na cidade. Martendal ri, diz estar feliz com a demonstração de carinho, mas enfatiza que as mudanças fazem parte da vida sacerdotal. São “escolhas de Deus”.

Em Blumenau, Martendal pretende trabalhar da mesma maneira: em busca de união entre as paróquias, com atenção às demandas específicas da comunidade e, principalmente, zelo por cada um que entrar na Catedral.

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