“Para nascer um novo Metrô eram necessárias as dores do parto”

Advogado e torcedor apaixonado, Rafael Dalagnolo conta o que sentiu ao ver o Metropolitano levantar um troféu pela primeira vez

“Para nascer um novo Metrô eram necessárias as dores do parto”

Advogado e torcedor apaixonado, Rafael Dalagnolo conta o que sentiu ao ver o Metropolitano levantar um troféu pela primeira vez

Redação

Rafael Dalagnolo
Advogado e torcedor do Metropolitano

Na noite da quarta passada no Sesi, quando Diego Palhinha recebeu a bola de Bruninho, dominou, partiu em arrancada deixando três adversários para trás e marcou o terceiro gol do Metropolitano, passou um filme na cabeça. Um filme de 16 anos, de muitos personagens, mocinhos e bandidos, heróis e vilões.

Cenas das vezes que saímos do estádio de cabeça baixa, resignados, conformados. As coisas eram assim mesmo e tentar mudá-las era perda de tempo. Afinal, “Blumenau e futebol não combinam” – alguém decretou certa vez.

Ao final do filme, com a cabeça de volta ao Sesi e ao terceiro gol recém-marcado, eu vi gente que nem se conhecia se abraçando, eu vi confiança nos seus olhos, e então eu encontrei a resposta de uma pergunta que eu me fazia a cada derrota, tropeço e decepção: sim, tinha chegado a nossa vez de brilhar!

Os traumas dos incontáveis “quases”, dos dias em que fazíamos tudo certo, mas sabe-se lá por que, ou por quem, a glória nos era negada, acabariam neste domingo.

Há 16 anos eu experimento uma sensação de que tudo com o Metrô é maior e mais forte. Cada vitória pesa mais do que qualquer outra lá do nosso grande time nacional. O impacto de cada derrota é maior. Eu digo sempre: quando o Metrô vence, eu perco o sono; quando ele perde, eu não consigo dormir!

Entre quarta e domingo, meu sentimento era de que um novo Metropolitano estava por nascer. Mas para nascer um novo Metrô eram necessárias as dores do parto. A angústia que aterrorizou cada coração verde domingo à tarde assumirá esse papel num novo filme que passará na cabeça de alguém no futuro.

O apito do árbitro pôs fim ao jogo e também a um tempo de acreditar que não podemos vencer no futebol porque somos blumenauenses. Hoje somos todos novos torcedores de um novo clube. Não somos mais os mesmos.

E nada será igual.

Cinco momentos que marcaram a campanha do Metropolitano campeão da Série B

Colabore com o município
Envie sua sugestão de pauta, informação ou denúncia para Redação colabore-municipio