No dia 7 de janeiro deste ano, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), postou no seu twitter uma foto do presidente Jair Bolsonaro com o ex-candidato a vereador pelo PSC do Rio de Janeiro nas eleições de 2016, Marco Antônio dos Santos, que lembra muito Adolf Hitler, e que esteve em dezembro do ano passado numa reunião de discussão sobre escola sem partido, organizada pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC), onde a foto foi tirada.

No dia 17 de janeiro o coronel Araújo Gomes, que ainda fazia parte do governo de Carlos Moisés, viu a postagem com Bolsonaro e a retuitou, sem ler o texto escrito por Marcelo Freixo, que declaradamente é contrário a família Bolsonaro.

Quando o nome de Araújo Gomes começou a ser ventilado, e praticamente certo, para assumir a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Governo Federal (SENASP) – pois tinha recebido o convite do próprio ministro da justiça, André Luiz Gomes, e também já tinha o apoio da frente parlamentar da segurança pública da Câmara Federal e da Maçonaria – a ala bolsonarista do governo passou a pressionar o presidente para que não assinasse o ato de nomeação do coronel, que inclusive já tinha feito o pedido para ir para a reserva da Polícia Militar de Santa Catarina para poder assumir o cargo.

Primeiro pensava-se que apenas a proximidade com o governador Carlos Moisés tivesse sido o maior motivo da desistência do nome de Araújo Gomes. Mas integrantes da ala ideológica do governo federal identificaram a postagem do coronel na sua conta do twitter e decretaram a escolha de outro nome para o cargo.

O coronel Araújo Gomes disse que essa postagem foi um erro operacional e um engano, pois não compactua com o conteúdo, não apóia o autor, que para ele representa boa parte das posições, atitudes, ações e discurso que combateu ao longo dos 35 anos de sua carreira na polícia militar.

O coronel se tocou da postagem quando, no meio militar, começaram a surgir comentários condenando o teor da mensagem e criticando o deputado Marcelo Freixo pelo que disse de Bolsonaro e seus filhos.

No dia 27 de maio deste ano o coronel Araújo escreveu na sua conta: “Putz, me alertaram para uma mensagem ofensiva do Dep Freixo (RJ) que retuitei. Olhei, confirmei e apaguei. Claro que foi por engano. Freixo é contra tudo que defendi em 35 anos de PM. Aliás, defende até a extinção das PMs, oposto do meu lema PAPA É MIKE: nossa Polícia é Militar”.

O problema é que, mesmo o coronel tendo escrito que se enganou quando compartilhou a mensagem, disse apenas que era contra o que Freixo defendia, mas não escreveu nada que era contra a mensagem escrita pelo deputado. Isso gerou ainda mais desconfiança por parte de pessoas ligadas a Carlos Bolsonaro, filho do presidente que têm grande influência sobre o pai.

O desfecho de tudo isso já se sabe e o próprio coronel Araújo Gomes já dá como página virada à decisão tomada pelo presidente Jair Bolsonaro de não nomeá-lo para o cargo na SENASP.

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