Sítio arqueológico na BR-470 tinha ossadas humanas de quase 6 mil anos

Materiais descobertos já foram retirados e não chegaram a afetar as obras de duplicação

Sítio arqueológico na BR-470 tinha ossadas humanas de quase 6 mil anos

Materiais descobertos já foram retirados e não chegaram a afetar as obras de duplicação

Redação

O sítio arqueológico encontrado durante as obras de duplicação da BR-470, em Ilhota, continha ossadas e indícios de presença humana com idade estimada em quase 6 mil anos. As informações são do laboratório Espaço Arqueologia, empresa que trabalhou no local para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A descoberta do sítio arqueológico foi noticiada nesta segunda-feira pelo Município Blumenau. Segundo a Espaço Arqueologia, os materiais já analisados, como restos de carvão, proveniente de duas fogueiras, indicam que houve presença humana no local há pelo menos 5.880 anos.

Raquel Schwengber/Divulgação
Raquel Schwengber/Divulgação

O material orgânico foi datado pelo laboratório Beta Analytics, na Flórida/EUA. Simulações demonstram que, no período em que o sambaqui foi construído, o local era uma pequena ilha inserida no meio de uma laguna. Hoje, o sítio está implantado sobre o topo de uma elevação de matriz argilosa, cercada por plantação de arroz. Ele fica a 18 quilômetros de distância do mar.

Raquel Schwengber/Divulgação

A ausência de água potável, bem como o caráter “isolado” da ilha indicam que o espaço pode ter sido utilizado para a realização de cerimônias e ritos funerários, e a presença dos dois sepultamentos na base do sambaqui reforça essa hipótese.

Conforme o estudo do sítio arqueológico, há vestígios de fauna no local que indicam o consumo de peixes pelos humanos da época, sendo a maior incidência de espécies como o bagre, a miraguaia, o sargo-de-dente, o robalo e a corvina.

O pequeno tamanho dos peixes capturados indica que a base alimentar era pautada na pesca de peixes juvenis presentes nas águas rasas e, eventualmente, peixes de grande porte que entram no período da desova. Diferente de outros sambaquis “continentais”, neste não existe a presença de mamíferos marinhos ou de animais de hábitos florestais.

O estudo está sendo realizado por pesquisadores das áreas de biologia, história, arqueologia e afins. Esses profissionais formam a equipe multidisciplinar da Espaço Arqueologia, que objetiva, por meio das análises, contribuir para um maior entendimento acerca das dinâmicas de ocupação do território hoje compreendido como litoral centro-norte catarinense, pelos grupos pescadores-caçadores-coletores.

Obras na BR-470 estão liberadas

Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o andamento da duplicação da BR-470 no lote 2, onde está o sítio arqueológico, não chegou a ser afetado.

“Não atrasa nada porque enquanto o Iphan trabalha no salvamento nós vamos trabalhando em outros pontos”, explica o o engenheiro João Vieira, responsável pela duplicação.

Segundo Vieira, no mês passado o local foi liberado para que as máquinas pudessem trabalhar.

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