Testes da vacina de Oxford são suspensos, mas futuro de voluntários brasileiros continua incerto

De acordo com médico blumenauense que faz parte do experimento, ainda não houve comunicação com os participantes

Na terça-feira, 8, a população mundial foi surpreendida por uma notícia: os testes da “vacina de Oxford” precisaram ser suspensos após uma paciente apresentar uma reação grave. Porém, além de todas as pessoas que estão a espera da imunização contra a Covid-19, outro grupo também ficou sabendo do caso apenas pelos jornais: os próprios voluntários.

Em entrevista ao O Município Blumenau, o médico blumenauense Eduardo Campagnaro afirmou que, até o momento, não recebeu um comunicado oficial sobre a suspensão. “Conversei com outros colegas e ninguém foi avisado. Eu tenho o quarto retorno marcado para o dia 26 desse mês e ainda não sei se vai acontecer”, conta.

No Brasil, ao menos 5 mil pessoas fazem parte do teste. Os demais voluntários estão no Reino Unido, Estados Unidos e Índia. Os países mais afetados pela pandemia. Porém, aqui no país, o médico afirma terem ocorrido reações muito leves.

“Na minha última consulta um dos médicos comentou que alguns pacientes tiveram dor local, febre baixa ou dor de cabeça no dia seguinte. Mas essas são reações esperadas para qualquer vacina”, conta Campagnaro.

Arquivo pessoal

Ele relata que, no termo de compromisso assinado pelos voluntários, eles foram alertados para possíveis reações adversas no sistema nervoso. A paciente, uma mulher que não teve a idade divulgada, desenvolveu mielite transversa, uma síndrome inflamatória. Felizmente, ela passa bem.

Como se trata de uma reação aguda (ou seja, que se desenvolveu logo após a vacina), as chances de voluntários que tomaram a vacina há semanas, como o blumenauense, terem quadros similares é muito baixa.

“Eu continuo otimista quanto a eficácia da vacina, mas não tanto com o prazo. Uma situação dessas é esperada em testes de vacina, mas sabemos que uma pausa vai atrasar um pouco nossa esperança”, desabafa.

Entretanto, os voluntários continuam aguardando mais informações para saberem se devem ficar atentos a sintomas específicos. A própria Anvisa se manifestou na quarta-feira afirmando que deve buscar mais detalhes com o laboratório.

“Este tipo de procedimento está previsto no desenvolvimento de vacinas, uma vez que esses estudos têm justamente o objetivo de confirmar a segurança e a eficácia das vacinas. Como órgão regulador, o papel da Anvisa está voltado para a validação da segurança das vacinas que estão sob estudo no Brasil. Não houve relato de eventos adversos graves em voluntários brasileiros”, reforçou a Agência.

O médico blumenauense reiterou que as reações são comuns até mesmo em vacinas que já estão no mercado. Campagnolo também deposita ficas em outras vacinas que também estão sendo testadas e podem ser lançadas.


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