Três meses depois, assalto no Quero-Quero ainda é um “quebra-cabeça de muitas peças”

Estão presas três pessoas, de uma quadrilha estimada em 16 integrantes

Três meses depois, assalto no Quero-Quero ainda é um “quebra-cabeça de muitas peças”

Estão presas três pessoas, de uma quadrilha estimada em 16 integrantes

Bianca Bertoli

Três meses após o maior assalto da história do Vale do Itajaí, a Polícia Civil não tem previsão para concluir o inquérito. De tão complexo e planejado, o ataque de bandidos ao aeroporto Quero-Quero exige esforço equivalente dos investigadores.

O delegado da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), Anselmo Cruz, responsável pelo caso, não revela detalhes do que já foi descoberto. Segundo ele, isso poderia atrapalhar o trabalho policial. Porém, confirma que ao menos 16 pessoas participaram da ação, arquitetada durante cerca de cinco meses.

“Fazer uma investigação é como montar um quebra-cabeça. Pode ser aquele de bebê, com poucas peças, ou aquele de 5 mil peças. Fazendo essa metáfora, esse foi um crime de muitas peças, por conta da complexidade”, exemplifica Cruz.

No dia 20 de março, o delegado regional da Polícia Civil de Blumenau, Egídio Ferrari, informou que a investigação seria repassada à Polícia Federal, por decisão da Justiça, uma vez que o roubo aconteceu dentro de uma aeronave. Enquanto os tribunais superiores não decidem o jogo de empurra, a Polícia Civil continua o trabalho.

Cruz confirma que o impasse judicial atrasou o andamento do inquérito, mas garante que o impacto não foi significativo. Para desvendar cada passo dado pela quadrilha que, ao que tudo indica, é de fora de Santa Catarina, a Deic conta com o apoio da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Blumenau e está em contato com divisões de outros estados.

Os presos

Logo após o roubo, três pessoas foram presas. Tiago Schuster, Juliano da Luz e Paulo Ignácio permanecem detidos em Blumenau. Os depoimentos deles pouco ajudaram o delegado. De acordo com Cruz, eles tentaram reduzir a participação no roubo (em que dois vigilantes da Brinks Logística de Valores ficaram feridos e Edivania de Oliveira, funcionária da empresa vizinha ao aeroporto, morreu ao ser atingida por uma bala perdida). Porém, há muitas contradições nos interrogatórios feitos.

Tiago teria sido contratado para buscar a falsa ambulância utilizada pelos bandidos. Os R$ 18 mil encontrados após o crime seriam para pagá-lo pelo serviço. Apenas esse valor dos R$ 9,8 milhões foi recuperado. A participação dos outros dois ainda não foi totalmente esclarecida.

O assalto

Duas caminhonetes pretas blindadas se aproximaram do portão de uma empresa que possui um hangar no aeroporto Quero-Quero, em Blumenau, às 15h10 de quinta-feira. Menos de 10 minutos depois, os dois veículos saíram pelo mesmo acesso levando malotes da empresa Brinks Logística de Valores.

Os malotes foram roubados em uma ação violenta. Carros-fortes, caminhões da empresa de logística Fedex (no hangar vizinho), vidraças e paredes de imóveis próximos ficaram cheios de marcas de tiros de grosso calibre.

Evandro de Assis

Quando deixaram o Quero-Quero, os bandidos viraram à esquerda rumo à Vila Itoupava. Os dois carros blindados, um Dodge Journey e um BMW X5, foram abandonados no mato na rua Luiza Bauer, uma transversal da Erich Mayer, na Vila Itoupava. Os veículos estavam cobertos de camuflagem.

Logo no início das investigações, foi possível detectar que os assaltantes haviam utilizado fuzis AK-47 posicionados no interior da BMW X5. Além disso, munições .50 foram disparadas contra a aeronave, os carros-fortes e prédios próximos. Elas são usadas até para atacar aviões.

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