César Wolff

César Wolff é advogado e professor da Furb. Foi presidente da subseção Blumenau da Ordem dos Advogados do Brasil entre 2010 e 2015.

“Precisamos reinventar o transporte coletivo em Blumenau”

Colunista discute sobre momento frágil do transporte urbano municipal e alternativas futuras

César Wolff

César Wolff é advogado e professor da Furb. Foi presidente da subseção Blumenau da Ordem dos Advogados do Brasil entre 2010 e 2015.

“Precisamos reinventar o transporte coletivo em Blumenau”

Colunista discute sobre momento frágil do transporte urbano municipal e alternativas futuras

César Wolff

A pandemia descontinuou o serviço público de transporte coletivo em nossa cidade. Segundo noticiou O Município Blumenau houve uma queda de 75% dos usuários, mesmo nos períodos em que se pôde circular.

A empresa concessionária tenta alternativas entre redução de jornada de trabalho e o salário dos colaboradores, e até demissões. Segundo noticiou um vereador, também estaria pleiteando indenização mensal de R$ 6 milhões, supostamente nos termos do contrato.

Não há solução simples, nem muito menos imediata. Quando do rompimento do contrato com a anterior concessionária, temia-se pelos danos incalculáveis da interrupção desse serviço público essencial por alguns dias. Agora, teme-se pelo seu próprio futuro.

De fato, a preocupação é pertinente e merece toda a nossa atenção. Isto porque a partir do momento em que as pessoas encontram alternativas para o seu cotidiano seria um equívoco acreditar no retorno invariável ao estado anterior. Isso não ocorrerá. O transporte coletivo de Blumenau, que já vem perdendo usuários ano após ano, descerá um degrau ainda mais profundo no pós-pandemia.

Exatamente por isso será fundamental para o desenvolvimento urbano investigar os efeitos da pandemia sobre a mobilidade dos munícipes. É difícil acreditar que uma cidade de terreno tão acidentado, e clima tão variável, possa prescindir de cerca das 90 linhas e seis terminais urbanos que a servem. Não dá para se valer só das caminhadas, da bicicleta, da patinete, ou do transporte proporcionado pelos motoristas de aplicativos cujo custo impede seja essa uma solução geral.

O que está em questão é o por vir; mas em futuro próximo. Será mesmo que com a implementação do sistema de trabalho em home office boa parte desses trabalhadores estará disposta aos elevados dispêndios do automóvel particular? Aliado ao ambiente de recessão econômica, é bem provável, e até previsível, que muitos se livrarão desses custos.

Por isso é preciso insistir que Blumenau tem a oportunidade de ouro para apostar num transporte coletivo moderno, eficiente, pontual, seguro e salubre, exatamente como ocorre em qualquer cidade desenvolvida do planeta. Um serviço público capaz de atender indistintamente a todas as pessoas, vale dizer, a todos os trabalhadores, de todas as áreas, aos estudantes, aos idosos, aos portadores de deficiência e também aos turistas.

Projetos pilotos de veículos leves sobre trilhos, elétricos, com ar-condicionado e outras funcionalidades precisam ser testados. Todos nós precisamos participar desse planejamento, no que se inclui a própria concessionária que atualmente explora os serviços.

Como estamos às vésperas das Eleições 2020, pleito que promete contar com um número expressivo de candidaturas tanto ao Executivo quanto ao Legislativo, a esperança é que os pretendentes se utilizem desde já da experiência que estamos atravessando para formularem bons planos de governo, para nos proporcionar bons debates e para nos trazerem importantes soluções inovadoras. Precisamos, mais do que nunca, de mentes brilhantes e governantes corajosos.


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