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É possível reerguer o BEC e resgatar a força e a tradição do clube?

Com uma história centenária, marcada por bons e maus momentos, sucessos e fracassos, o BEC, Blumenau Esporte Clube, é um daqueles casos mais emblemáticos de amor de uma torcida por um clube de futebol. Neste fim de semana, mais uma marca triste: novamente o clube terá que jogar última divisão do futebol profissional do estado.

Surgiu em 1980 assumindo o lugar do Palmeiras. Viveu o auge, seu melhor momento,  no final dos anos 80 e início dos anos 90- período em que foi Campeão Catarinense da Série B, Vice-campeão estadual de 88, além de emplacar participações marcantes na Copa do Brasil, quando foi eliminado pelo Flamengo de Zico e na Série B do Campeonato Brasileiro.

Foi na Era Pingo! Edson Pedro da Silva,era o presidente, e contava com uma diretoria que possuia nomes de respeito e peso. Com esse grupo o Bec chegou a ter inacreditáveis 7 patrocinadores principais na camisa: Hering, Artex, Altona, Sulfabril, Karsten, Cremer e Teka.

Foram anos dourados. Nos anos seguintes e com apoio de poucos ainda lutou para permanecer na elite do futebol catarinense.

Depois de 95 a torcida começou a viver um pesadelo sem fim e acumulou, em linhas gerais, decepções, vexames, e o clube, por conta de gestões assombrosas, -c om administradores/aventureiros que, por lá passaram,-  e se afundou em um mar de dívidas trabalhistas e tributárias até o pedido de insolvência.

Os tricolores apaixonados da Blu-Raça, da Bec Manguaça, e a galera em geral,  ainda tiveram que conviver  com o surgimento de falsos “salvadores da pátria”, “novos becs”, brigas na justiça entre dirigentes e, sofreu um duro golpe com a demolição do estádio Aderbal Ramos da Silva, o Velho, acanhado, mal conservado e fedorento Deba, onde o futebol morava em Blumenau e a gente era feliz.

Era uma rotina: elenco com salários atrasados, clube sem dinheiro para pagar a viagens do time, sem credibilidade, ameaça de rebaixamento e até jogador dando entrevista chorando afirmando estar passando fome.

Essa é uma parte da história do BEC que existiu e que a torcida sofreu demais. Um abismo. Apesar de tudo os fanáticos, apaixonados e loucos  seguiram e seguem até hoje, acreditando no resgate daquele BEC dos bons tempos.

No cenário de hoje, no entanto, não vejo perspectivas de dias melhores.
O Bec atual está  em processo de perda de identidade com sua gente e suas origens.
Torço para estar errado, mas vejo dificuldades. E espero que os atuais mandatários sejam transparentes e responsáveis com a torcida e com o próprio clube.

A torcida, de um jeito ou de outro, na teimosia fiel e por amor ao clube,  consegue renovar a sua esperança a cada nova temporada.

Um clube com a tradição e marca da cidade não poderia chegar onde chegou. Reerguer o BEC, resgatar sua força e tradição é possível?

É!

Desde que você reúna um bom número de pessoas da cidade,  com seriedade e credibilidade, e dispostas a mobilizar empresários da região e autoridades na busca de apoio financeiro.

Perguntei outro dia  ao Pingo, ex- presidente do BEC e do Metrô, e hoje comandando a Unimed, se ele teria vontade de voltar ao futebol profissional da cidade. Pingo descartou e só voltaria, justamente se tivesse um amplo apoio da cidade.
“Sozinho e sem dinheiro não se faz futebol”

Ou seja. É difícil!

Então, algumas semanas após o aniversário do “mais querido do estado” como a torcida canta, diria que hoje, para o BEC voltar forte, só se o Laerte, o Rocha, ou o Leandro Tomio, fanáticos tricolores ganharem na Mega-Sena.

Aí saí da frente!