Do início precoce à lesão que a tirou do esporte: a vida de ginasta de Jéssica Mueller, do BBB

Com 12 anos de idade, participante do Big Brother Brasil 18 já defendia Blumenau nos Jogos Abertos de Santa Catarina

Do início precoce à lesão que a tirou do esporte: a vida de ginasta de Jéssica Mueller, do BBB

Com 12 anos de idade, participante do Big Brother Brasil 18 já defendia Blumenau nos Jogos Abertos de Santa Catarina

Bianca Bertoli

Jéssica era uma criança inquieta. Subia nas batentes das portas ou em qualquer lugar mais alto da casa. Não demorou para os pais, Cássio Mueller e Tania Regina Heckert, atenderem ao pedido da menina de nove anos: ser matriculada nas aulas de ginástica artística – ou olímpica, como era chamada à época.

Começava ali a vida da atleta e personal trainer Jéssica Mueller. Muito tempo antes da blumenauense ficar conhecida no Brasil todo, aos 26 anos, como participante do Big Brother Brasil 18, da TV Globo.

Arquivo pessoal

Das “estrelinhas” no chão de casa a jogos estaduais, olimpíadas estudantis, torneios em Goiânia, Rio de Janeiro e Paraguai, foi um pulo, literalmente. Depois de um mês de aula, o talento era tanto que foi inserida na equipe da Associação Blumenauense de Ginástica Olímpica (Ablugo). De tantos saltos, o grupo de Jéssica ganhou um apelido das mais velhas: go_behh (go de Ginástica Olímpica e “behh” em referência ao som emitido pelas ovelhas).

Determinada, Jéssica tinha uma postura admirada, inclusive, por colegas que estavam há mais tempo no esporte. Há 30 anos na ginástica artística de Blumenau, o ex-treinador de Jéssica, Ademar Bisognin, conta que aos 12 anos ela já participava dos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc). O estilo e carisma de Jéssica a levaram ao destaque no solo.

“Ela conquistava a arbitragem, tinha toda a técnica. Era muito forte fisicamente e resistente, de raciocínio rápido. Qualquer movimento que eu passava ela desenvolvia sem muita dificuldade”, revela Bisognin.

Trajetória

“Assim que ela entrou a gente fez uma viagem e ela, com nove anos, estava nervosa e com medo. Começamos a conversar para ela se acalmar e a partir daí começou a amizade”, conta Larissa Muziol, um ano mais velha do que Jéssica. Ambas compartilharam também disciplinas no Curso de Educação Física da Furb.

Arquivo pessoal – Jéssica com o braço esticado, à direita

A “tia Tania” ficou conhecida entre as meninas, já que sempre acompanhava a filha e durante um período trabalhou voluntariamente como secretária do local onde elas treinavam: primeiro no Grêmio Esportivo Olímpico, depois em um galpão no Garcia e, por último, no Sesi. O clima de competição era amenizado pela ingenuidade das crianças. No fim das contas tudo era uma grande brincadeira. Mas uma brincadeira séria.

Arquivo pessoal

Jéssica coleciona mais de 100 medalhas conquistadas. Os movimentos eram precisos nos quatro aparelhos da ginástica artística mas, nos alojamentos durante as viagens, na frente do espelho, eram mais soltos e divertidos. As meninas dançavam, conversavam e riam entre uma competição e outra.

“Ela era forte para uma criança, até porque tínhamos responsabilidades. Era aula de manhã e treino à tarde. Acho que todo o espírito do esporte e de liderança que ela adquiriu nessa época está sendo visto no BBB”, conta a ex-colega de equipe e hoje amiga de Jéssica, Paloma Farina.

A médica de Blumenau guarda até hoje o pingente que o quarteto formado por ela, Jéssica, Larissa e Bárbara compraram em uma das viagens. O quase amuleto, em formato de coração e com a frase “sempre amigas”, ficou pendurado nos pescoços em diversas competições.

Arquivo pessoal – Joguinhos Abertos em 2005

Promessa catarinense, a trajetória de Jéssica foi interrompida por uma grave lesão. Aos 16 anos, uma pirueta no solo mal finalizada rompeu o ligamento do joelho. O uso do torniquete aliado a uma demora na cirurgia é apontado pelo pai como a principal causa de uma recuperação lenta e dolorosa. Depois de um ano de fisioterapia e tratamentos com ondas eletromagnéticas, o medo de uma nova lesão fez Jéssica deixar o esporte.

“Logo depois ela foi para a faculdade fazer Educação Física. Eu fui contra, disse: ‘Mas filha, você vai trabalhar onde? Professor ganha pouco’. E ela respondeu: ‘Vou trabalhar para conseguir minha própria academia’. E essa é a luta dela até hoje”, revela Mueller.

Torcida

Arquivo pessoal

Cada “ovelha” da equipe seguiu um caminho diferente, mas as três amigas continuam torcendo pela caçula do grupo.

“Fica, fica, fica, fica”.

Quem precisava finalizar um movimento sem nenhum desequilíbrio ouvia as palavras de incentivo das amigas de equipe que assistiam tudo com apreensão. Hoje, o desejo é o mesmo, só que dessa vez para que Jéssica fique no programa até o final.

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