Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb.

“Partidos de Blumenau terão que apostar nos puxadores de voto em 2020”

Colunista crê que, com nova lei eleitoral, medalhões da política deverão fazer a diferença para o próximo pleito

Josué de Souza

Cientista social e professor, é autor do livro Religião, Política e Poder, pela EdiFurb.

“Partidos de Blumenau terão que apostar nos puxadores de voto em 2020”

Colunista crê que, com nova lei eleitoral, medalhões da política deverão fazer a diferença para o próximo pleito

Josué de Souza

A eleição dos figurões

No próximo ano teremos eleições municipais. Engana-se quem acredita que a eleição ainda não começou. Nos partidos políticos e na rua das Palmeiras os trabalhos já começaram. Nesta fase, a calculadora ganha importância. As articulações acontecem por conta da legislação eleitoral aprovada em 2017 e que será aplicada pela primeira vez na disputa municipal.

A nova regra suprime as coligações partidárias nas eleições proporcionais. Agora, os partidos não podem formar coligações com o objetivo de somar votos. Cada partido, terá que alcançar o coeficiente eleitoral e assim ter direito a uma cadeira no parlamento. O objetivo da lei é diminuir com o número de agremiação partidária.

Coeficiente eleitoral é a média resultante do total de votos válidos dividido pelo número de cadeiras no parlamento. Levando em consideração as últimas eleições, o coeficiente eleitoral para a Câmara de Vereadores em Blumenau é de 11.841 votos. Se a lei já é dura com os pequenos partidos, em Blumenau esta dificuldade aumenta considerando o baixo número de cadeira no parlamento.

A soma destes dois fatores pode deixar de fora a maioria dos atuais vereadores. Não só por conta do desgaste natural do cargo, mas também, que alguns pertencem a pequenos partidos, estão sem partido ou procurando uma nova agremiação.

Nos grandes centro, a solução para isso é ir atrás dos puxadores de votos. Os chamados medalhões partidários. Em nome do debate democrático aceitam participar do pleito municipal e assim, garantir legenda para seus partidos. O caso mais conhecido é do ex-senador Eduardo Suplicy (PT) que em 2016. Fez 301.446 votos, pouco mais de 5% dos votos validos da maior cidade do país.

Em 2016 a legislação ainda não estava em vigor, porém a formula garantiu uma legenda forte para o Partido dos Trabalhadores que naquele momento estava com a imagem desgastada por conta do cenário nacional.

Em Blumenau, temos Napoleão Bernardes (PSD), Décio Lima (PT) João Paulo Kleinübing (DEM) Renato Viana (MDB), Jean Kuhlmann (PSD) tradicionais medalhões. Controlam as maquinas partidárias dos seus respectivos partidos. Exceto o primeiro que está impedido por lei de ser candidato a prefeito, os outros são sempre lembrado como virtuais candidatos ao executivo.

Deveriam ser candidatos ao legislativo. O parlamento é o poder republicano mais importante, é nele que a vida da cidade é decidida. Uma câmara de vereadores com essa composição enriqueceriam o debate, qualificariam casa e contribuiriam para a vida de seus respectivos partidos.

Aos que acreditam que ser vereador em Blumenau é um demérito, é bom trazer a memória que o legislativo blumenauense já contou com nomes como Fritz Muller, Ingo Hering e Bernardo Werner.

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