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Júri de duplo homicídio em Blumenau é cancelado após advogadas de autor abandonarem caso

Julgamento estava marcado para esta sexta-feira

O júri popular que iria julgar Anderson Tadashi Nakamura, que matou mãe e filha no Tribess em 2018, precisou ser cancelado. O acusado foi abandonado pelas advogadas às vesperas do julgamento sem justificativas.

A sessão do Tribunal do Júri estava marcada para esta sexta-feira, 3 de dezembro. O duplo homicídio teve grande repercussão na região. Anderson, de 30 anos, foi localizado em Lages um ano e meio depois.

“Para obedecer aos trâmites legais, será oportunizada a possibilidade de constituição de novos advogados. Caso não haja constituição de novos defensores, haverá encaminhamento para a Defensoria Pública”, afirmou o Tribunal de Justiça.

Até o julgamento, Anderson segue preso. Ainda não há data para a nova sessão, mas a previsão é fevereiro ou março de 2022.

Relembre o crime

Ambos os casos aconteceram na manhã do dia 4 de abril de 2018. Anderson era conhecido da família e realizada serviços de jardinagem para as vítimas.

Segundo denúncia do Ministério Público (MP), após uma discussão, o homem teria golpeado a mulher de 57 anos e a levado desacordada até o quarto dela, onde foi asfixiada. Ainda de acordo com o MP, ele teria encontrado uma faca e aguardado a chegada da filha da vítima, de 30 anos.

Escondido atrás da porta de entrada da cozinha da residência, o homem surpreendeu a segunda vítima e a matou com vários golpes de faca. Após o crime, Odair Will, filho de Inês e irmão de Franciele, não conseguiu mais retornar à residência. Foi ele quem encontrou os corpos da mãe e da irmã.

Após investigações da Polícia Civil, Anderson foi detido um ano e meio depois, em Lages, onde estava morando e trabalhando. Ele foi trazido para Blumenau e preso preventivamente no Presídio Regional da cidade.

O relatório policial

O relatório de do delegado Douglas Barroco Teixeira enviado ao MP confirma a versão de que Nakamra matou Inês após uma discussão, no dia 4 de abril de 2018. Veja o trecho em que a cena do crime é descrita:

“Declarou que foi até a casa de Inês perguntar se havia algum serviço para prestar, sendo informado que não havia. Na sequência, houve uma discussão com Inês motivada pela acusação que recebeu de ter induzido Odair ao uso de entorpecentes, iniciando-se, pois, uma discussão ríspida.

Ato contínuo, após Inês proferir xingamentos sobre sua família, alegou que ficou fora de si e lhe desferiu socos e a levou para o andar de cima, momento em que Inês, que estava já desacordada, acordou e, então, apertou seu pescoço até que apagasse novamente.

Indagado sobre a execução de Franciele, frisou que não houve uma motivação específica, dado que tinha pouco contato com ela. Declarou que somente a esperou para a execução porquanto enquanto estava a conversar com Inês, Franciele esteve rapidamente na residência e acabou o ali vendo.

Aduziu que se utilizou de uma faca para o ato e que Franciele não chegou a falar nenhuma palavra durante as agressões, haja vista que os golpes foram desferidos logo da sua entrada no imóvel”.


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