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MEC volta a considerar federalização da Furb, mas com cobrança de mensalidade

Reitora eleita e atual reitor da Universidade de Blumenau tiveram audiência com o ministro da Educação

A reitora eleita da Furb, Marcia Sardá Espíndola, e o atual reitor, João Natel, estiveram em Brasília nesta terça-feira, 20, para uma audiência com o ministro da Educação, Rossieli Soares. Entre os temas em pauta estava a retomada de conversas sobre a federalização da universidade, mas sob um novo modelo.

Segundo Espíndola, a Furb pode ser um projeto-piloto de universidade federal com cobrança de mensalidade no Brasil. Na prática, os alunos de baixa renda teriam acesso gratuito à universidade. Os demais pagariam os valores mensais, como ocorre atualmente na universidade blumenauense.

“Eles não sabem como aplicar isso nas universidade federais. Então pensaram em ter a Furb como projeto-piloto, porque ela é pública, mas cobra mensalidade. Eles transformariam a Furb em Federal, mas continuariam cobrando mensalidade de quem tem possibilidade”, explica a futura reitora.

A Secretaria de Educação Superior (SESu) prometeu analisar o caso e, em breve, Espíndola e Natel devem voltar a Brasília para uma nova reunião. Nela, entenderão se e como a ideia sairá do papel. Espíndola acredita que, se a federalização realmente for possível, os encaminhamentos serão dados já neste ano, antes do fim da gestão do atual ministro.

Ela também é otimista em relação às consequências que a mudança traria. A Furb tem registrado quedas constantes no número de alunos. A possibilidade de uma parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para ocupar os espaços ociosos da Furb foi levantada durante o processo eleitoral para a escolha da nova reitoria.

Porém, de acordo com Espíndola, representantes da UFSC preferem conversar no próximo ano, com a nova realidade política. Na opinião da reitora, a federalização é mais interessante, pois resolveria problemas financeiros e aumentaria o acesso por pessoas de baixa renda.

A cobrança de mensalidades em universidades públicas já vem sendo avaliada pela equipe de transição do futuro governo Jair Bolsonaro (PSL). Sob a justificativa de que as vagas públicas são, em sua maioria, ocupadas por estudantes de famílias ricas, Bolsonaro sugere manter a gratuidade apenas para quem não pode pagar.

Os blumenauenses também discutiram com o ministro um programa de bolsas para estimular o ingresso e a permanência de estudantes indígenas na Furb.

Furb TV

Outro tema em discussão com o Ministério da Educação (MEC) é o futuro da Furb TV. O MEC mostrou interesse em transformar a universidade blumenauense em um Centro Nacional de Mídias, para produção de conteúdos e metodologias de ensino a distância, conforme um modelo já existente no norte do país.

Sem ter conseguido a atualização tecnológica para migrar ao sistema digital, devido à situação financeira da universidade, a Furb TV pode sair do ar no dia 5 de dezembro, quando o sistema analógico deixará de funcionar.

Espíndola conta que o ministro se comprometeu em deslocar uma equipe para analisar os estúdios da Furb TV, com a intenção de adequá-los ao sistema digital, permitindo também a implantação do Centro.

A mudança possibilitará a criação de novos cursos a distância, como para a formação de professores e ensino médio. Ainda não há data marcada para a visita do MEC. Em Brasília, os representantes ouviram apenas que ela deve ocorrer em breve.